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Dom21122014

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Zoneamento

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vem fazendo um trabalho que ajuda milhões de agricultores brasileiros a diminuir os riscos na hora de escolher o que e quando plantar. Além do zoneamento de aptidão agrícola e do zoneamento agroclimático, o governo vem publicando anualmente boletins de base científica que informam aos produtores quais os perigos que ele vai enfrentar na safra daquele ano. Trata-se do Zoneamento de Risco Climático.

O zoneamento é feito a cada ano e se apoia em informações de diversos tipos. Entre os dados colhidos estão informações de produtividade (ciclos de maturação, fisiologia e épocas de semeaduras), estudos de solo (informações a respeito da textura dos solos para balanço hídrico); meteorologia (temperatura máxima, mínima e precipitação pluviométrica, radiação solar, velocidade de vento, umidade relativa do ar) e dados altimétricos.

A ferramenta vem auxiliando o plantio de cultivares utilizados na produção de biodiesel – como mamona, dendê, amendoim e girassol. Anualmente, o Mapa publica portarias no Diário Oficial da União para as culturas indicadas para cada região. Todas as informações relacionadas ao trabalho são divulgadas por meio eletrônico (http://www.agricultura.gov.br) e podem ser enviadas por e-mail para bancos, seguradoras, cooperativas, secretarias de agricultura e produtores rurais.

E essa é mais uma vantagem: no caso de uma variação climática, se o produtor estiver inserido em algum programa público, o governo cobre o diferencial no preço do produto.

O único problema para quem é produtor ligado à cadeia do biodiesel é que nem todos os vegetais que servem de matéria-prima para o combustível fazem parte da lista de zoneamentos oficiais do governo. É que o número de culturas estudadas pelo ministério cresce ano a ano, mas ainda está longe de abarcar toda a variedade de plantas cultivadas no Brasil.

Em 2005, o Ministério da Agricultura realizava o levantamento para 192 culturas. Em 2009, a previsão oficial era chegar a 462. E em 2012 o governo pretende fazer o Zoneamento de Risco Climático para 602 espécies. O crescimento não é mais rápido porque o trabalho, além de envolver muitas informações, deve ser feito em separado para cada região, discriminando dados até para municípios em específico.

Para as oleaginosas, o governo preparou um pacote que incluirá pelo menos 42 cultivares até 2011. Enquanto isso, alguns produtos importantes ficam de fora da lista. Exemplo disso é a ausência da cultura do pinhão-manso nos programas em andamento. Há pouca informação a respeito da matéria-prima. No entanto, o próprio Ministério da Agricultura argumenta que isso não significa que ela ficará de fora do zoneamento por muito tempo. Um dos problemas que mantém a cultura ainda distante do mapeamento é o caráter perene da planta, que exige mais tempo para consolidação das pesquisas, iniciadas tardiamente.

No inicio de 2008, o Mapa autorizou a inscrição do pinhão-manso no Registro Nacional de Cultivares (RNC). No entanto, como o período ideal de plantio para a maior parte do Brasil é de outubro a dezembro, houve atraso em vários projetos de plantio. Os procedimentos para que os órgãos oficiais recomendem uma cultura perene (como o pinhão-manso) exigem anos de pesquisa em variadas regiões com clima e solo diferentes. A pesquisa que levará à indicação de uma matéria-prima dura em média mais de quatro anos. Só depois de concluído o levantamento de todo o sistema de produção é que o cultivo passa a fazer parte do zoneamento.


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