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Qui02102014

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Sebo


Poucas matérias-primas têm condições de enfrentar o reinado da soja no mercado de produção de biodiesel no Brasil. Nessa briga, a principal vantagem da gordura animal é que, como a soja, ela também está disponível em grande escala. O país tem o maior rebanho bovino comercial do planeta e produz em torno de 8 milhões de toneladas de carne por ano.

O sebo é um subproduto da produção da carne e em média se obtém de 15 a 17 quilos a cada animal abatido. Estima-se a produção nacional de gordura animal em três milhões de toneladas por ano, uma quantidade nada desprezível. Além de servir de matéria-prima para o biodiesel, o sebo também é destinado à indústria cosmética (especialmente a indústria de sabões), ao ramo alimentício e à produção de ração animal.

A perspectiva de transformar um subproduto em um novo negócio animou grandes frigoríficos do país a investir no biodiesel. A gordura animal tem a vantagem de historicamente ter um custo inferior ao do óleo vegetal, o que torna sua utilização na produção de biodiesel interessante. Além disso, as outras indústrias que utilizam esse material não consomem todo o volume produzido no país, o que faz com que as sobras sejam abundantes e, como conseqüência, baratas.
 
No entanto, com o início da produção comercial de biodiesel no Brasil, cresceu a procura por gordura animal. A disputa entre o mercado cosméstico, a indústria saboeira e de rações e as usinas de biocombustíveis fez o preço da tonelada de gordura subir. Mais caro, o sebo perde seu atrativo e deixa de ser tão bom negócio para quem quer fazer biodiesel.

Entre os frigoríficos, apenas a Bertin, com sua usina funcionando em Lins (SP), tem atuação consolidada no mercado. Além de vender a maior parte da produção de biodiesel no mercado interno, o grupo também utiliza parte do combustível que fabrica em tratores, caminhões e outros veículos da empresa.

As usinas, por sua vez, especialmente as localizadas em áreas de tradição na pecuária de corte, adicionaram o sebo à sua lista de matérias-primas. Atualmente, cerca de 15% do biodiesel produzido no Brasil vem do sebo bovino. O que impede a conquista de uma maior fatia de mercado são os cuidados extras que a gordura exige na produção. A maior dificuldade enfrentada por quem usa sebo para produzir biodiesel é que essa matéria-prima é sólida em temperatura ambiente. Para evitar problemas de entupimento na usina, o sistema precisa ser aquecido.

A gordura animal também tem o problema de resultar num biodiesel mais suscetível à solidificação em baixas temperaturas. Não se trata de um problema sério nas regiões mais quentes do Brasil, mas é certamente um impeditivo para futuros contratos de exportação desse combustível para a Europa.

O que a maioria dos produtores que utilizam sebo tem feito para contornar essa dificuldade é usar um mix de matérias-primas, ou seja, misturar a gordura animal a óleos vegetais, neutralizando as características menos desejáveis do sebo. As misturas mais populares incorporam de 30% a 50% de biodiesel de sebo ao produto derivado de outras oleaginosas. Essa estratégia exige da indústria uma unidade flex, capaz de processar e atender às exigências de diferentes materiais.

Para que o uso da gordura animal fique mais popular entre as usinas, há também quem defenda uma ajuda governamental. É que o uso de oleaginosas pode garantir acesso a incentivos fiscais quando os grãos são provenientes da agricultura familiar. Mas quem opta por sebo não tem direito ao selo Combustível Social.

Há também menos dinheiro disponível nos fundos de financiamento de tecnologias para o estudo e desenvolvimento de processos mais eficientes de produção de biodiesel a partir de sebo. E, é claro, aditivos capazes de minimizar as características menos interessantes do combustível feito a partir de gordura animal.

Contudo, participar de quase 20% da produção nacional de biodiesel não é um feito menor. Além da soja, que domina 80% do mercado, só o óleo de algodão tem participação digna de menção no setor atualmente.

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