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Dom23112014

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Dendê


O óleo de palma (ou dendê) pode ser uma importante alternativa à soja como matéria-prima para a produção de biodiesel. Entre as vantagens dessa cultura está a alta produção de óleo por hectare, que pode chegar a até oito vezes a da soja. Quando em plena produção, a lavoura de palma produz óleo a baixo custo. Além disso, essa cultura pode ser utilizada para a recuperação de áreas degradadas da Amazônia, aproveitando um solo antes improdutivo sem causar novas derrubadas na floresta.

No entanto, o potencial dessa cultura ainda está longe de ser largamente explorado pela indústria do biodiesel no Brasil. Na realidade, a produção local não chega nem mesmo a suprir toda a demanda interna pelo óleo. O país importa dendê e não tem perspectivas de se tornar autossuficiente tão cedo.

Um dos empecilhos para a expansão do uso do dendê na produção de biodiesel é a falta de linhas de crédito adequadas a essa cultura. Uma lavoura nova de palma leva de três a quatro anos para começar a produzir em escala. Para estimular os agricultores a se aventurar nessa produção é preciso que haja financiamentos com carência condizente com esse tempo de espera.

Outra desvantagem da palma é o alto custo da mão-de-obra, uma vez que a colheita é manual. Há também uma preocupação com a possibilidade de essa cultura promover mais devastação na Amazônia. É que a região amazônica é a área no Brasil mais favorável para a produção dessa planta. Mas também é uma área com estrutura fundiária confusa, cercada de disputas.

No entanto, os defensores dessa cultura advogam que a expansão da área plantada poderia acontecer com o aproveitamento de terras já degradadas. A plantação de palma ajudaria a recuperar o solo, contribuindo para a reconstrução da floresta.

Superadas essas dificuldades, o dendê pode ser uma boa opção de matéria-prima para o biodiesel. Depois de implantada, uma lavoura de palma produz por 20 anos e a um custo significativamente baixo em comparação com o de outras culturas. Vantagens atraentes para uma indústria na qual o preço do óleo é crucial para a viabilidade da produção.

O cultivo do dendê no Brasil

No final de 2008, um estudo divulgado pelo ministério holandês de agricultura elencou diversos fatores que fazem com que o Brasil continue importando óleo de palma e seus derivados apesar de possuir uma vasta área propícia para o cultivo da planta. Vários especialistas brasileiros foram ouvidos para explicar esta contradição, apresentando os seguintes argumentos:

- A maior parte das áreas propícias ainda está coberta com vegetação natural. Apenas áreas degradadas devem ser consideradas para o cultivo da palma, o que limita a área disponível de fato.

- É barato produzir soja no país. O óleo de soja era muito barato até pouco tempo atrás, uma vez que o que motivava a produção e exportação do produto era a sua proteína. Isso tornou o óleo de palma pouco competitivo em relação à soja. Além disso, seus custos de oportunidade são altos, ou seja, outros investimentos possuem retorno melhor.

- Não há tradição de cultivo de palma no Brasil. A produção em larga escala, na região de Belém, só se iniciou a partir da década de 1970.

- A questão da posse da terra no Pará e em várias regiões do país é frequentemente nebulosa, o que pode facilmente levar a litígios. Se a terra na qual se encontra um cultivo for contestada e ganha judicialmente, haverá uma grande perda de investimento. Isso aumenta o custo e os riscos de implantação da cultura.

- O plantio de palma precisa de investimentos de grande porte e só começa a gerar receitas depois de quatro a cinco anos. A necessidade de financiamento, juntamente com os riscos descritos, torna difícil a obtenção de taxas de juros razoáveis.

- Os custos formais com mão-de-obra são descritos como mais altos que em outros países concorrentes. A administração centralizada e o grande volume de mão-de-obra necessário para o cultivo acarretam custos formais com investimentos e salários.

- Nem toda a terra em uma propriedade pode ser usada para a produção de palma. Na Amazônia, a legislação exige que entre 50% e 80% da área seja mantida com cobertura nativa. A Agropalma, por exemplo, é dona de mais de 120 mil hectares. Desse total, apenas 37.500 hectares são cultivados com palma. A área restante é mantida como reserva florestal, aumentando o custo final do negócio.


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