BiodieselBR.com

Qui24042014

    Lembrar | Esqueceu a senha? Não é assinante? Assine já!

Óleo de Mamona

Dos subprodutos destaca-se o óleo, único glicerídeo que a natureza concebeu em mais de 320.000 espécies de espermatófitos, que é solúvel em álcool e é extraído pela prensagem das sementes, cerca de 90% do óleo é composto por triglicerídio, principalmente da ricinoleína, que é o componente do ácido ricinoléico, cuja fórmula molecular é (C17H32OHCOOH), o que confere ao óleo suas características singulares, possibilitando ampla gama de utilização industrial, tornando a cultura da mamoneira importante potencial econômico e estratégico ao País.

As aplicações do óleo são inúmeras podendo ser empregado em vários processos industriais, na fabricação de tintas, protetores e isolantes (depois de desidratado), lubrificantes, cosméticos, drogas farmacêuticas, bem como a fabricação de corantes, anilinas, desinfetantes, germicidas, óleos lubrificantes de baixa temperatura, colas e aderentes, base para fungicidas e inseticidas, tintas de impressão e vernizes, além de nylon e matéria plástica, em que tem bastante importância. Transformado em plástico, sob a ação de reatores nucleares, adquire a resistência de aço, mantendo a leveza da matéria plástica.

O uso do óleo como lubrificante tem sido amplamente difundido sobretudo em algumas situações específicas em que os óleos minerais tornam-se menos eficientes. Tal é o caso de certos equipamentos, como mancais ou engrenagens sujeitas a esfriamento a água, determinando, portanto, a necessidade de lubrificação com óleo de mamona, cujo grupo hidroxílico no derivado ricinoléico, lhe confere alta capacidade de aderência às superfícies umedecidas. Além de seu baixo ponto de solidificação, em torno de 30oC negativos, outras qualidades do óleo de mamona, tais como resistência ao escoamento e viscosidade elevada, o recomendam também como lubrificante de turbinas de aeronaves ou de veículos automotores que operam em regiões geladas. Suas características físicoquímicas favorecem, por outro lado, a sua utilização como fluído para freios hidráulicos de veículas, não atacando a borracha, metais ou plásticos, sendo que esta aplicação do óleo de mamona é a mais importante no Brasil.

Na fabricação de espumas plásticas o óleo de mamona confere ao material, texturas variáveis desde a macia e esponjosa até a dura e rígida.

Essa diversificação de aplicações do óleo de mamona está evidentemente relacionada com sua composição química, predominando na mistura os glicerídeos que contêm o grupo ricinoléico. A estrutura do ácido ricinoléico possui 18 átomos de carbono e difere dos outros ácidos graxos por localizar uma hidroxila no carbono-12 de sua cadeia, e por apresentar uma dupla ligação cis entre carbonos 9 e 10.

Tais características estruturais e funcionais não somente conferem ao óleo de mamona algumas de suas propriedades intrínsecas, como a elevada viscosidade ou a sua miscibilidade em álcool, mas também ativam a molécula tornando-a acessível a muitas reações químicas.

Veja o quadro esquematizando sucintamente as principais transformações químicas do óleo de mamona, as quais o conduzem a produtos de largo emprego em diversos setores
industriais, destacando-se a pirólise térmica ou catalítica e as reações de hidrogenação e de hidratação.

O método utilizado para extrair o óleo pode ser a prensagem, a frio ou a quente, ou a extração por solvente. No caso do óleo medicinal, a prensagem das amêndoas é feita a frio, obtendo-se o óleo límpido, incolor e brilhante, livre do alcalóide tóxico ricina, com baixo teor de acidez e impurezas. O óleo medicinal ainda deve passar pelos processos de refinação e neutralização, para que seja absolutamente isento de acidez e de impurezas. Para a extração do óleo industrial pode ser utilizado a prensagem a frio, ou a quente, preferencialmente esta última, das sementes completas, obtendo-se óleo tipo standard, límpido, brilhante, que pode ter, no máximo, 1% de acidez e 0,5% de impurezas e umidade, depois de refinado. O óleo industrial também pode ser obtido da torta resultante da extração do óleo medicinal.

No craqueamento térmico a 450-500oC, o ácido ricinoléico é fragmentado nos compostos heptaldeido e ácido undecilênico, constituindo-se este último na matéria-prima básica à produção do rilsan, um monômero amino-ácido, a partir do qual é preparado o nylon 11. Este polímero é de uso bastante diversificado, principalmente nas indústrias de automotores e de componentes elétricos, em virtude de sua beleza, resistência física e estabilidade frente a reagentes químicos, sendo utilizado, por exemplo, na fabricação de caixas de baterias, de revestimentos para motores elétricos, de reservatórios para óleos ou de componentes de equipamentos da indústria bélgica. O heptaldeido, por outro lado, é comumente empregado na indústria de perfumes ou corno aditivo cromático em produtos alimentícios.

Com referência ao tratamento alcalino do ricinoleato de metila a 180-200oC, em que se utiliza igual número de moles de NaOH obtém-se, além da metilhexilcetona, o ácido 10- hidroxidecanóico, outro importante insumo químico, destinado à produção de tipos especiais de polímeros de cadeia grande.

Se a reação é conduzida a 250-275oC, usando-se neste caso dois moles de NaOH para cada moI de ricinoleato de metila, os produtos são o álcool caprílico e o ácido sebácico, do qual os ésteres de octila, de baixo ponto de congelação, são especialmente recomendados como lubrificantes específicos de aviões a jato.

Os processos de hidrogenação catalítica e de dehidratação do óleo de mamona, ou de seus derivados, propiciam a geração de muitos importantes produtos de mercado diversificado e facilmente assimilável. Entre os inúmeros compostos obtidos através de reações de hidrogenação, total ou parcial, destaca-se a tri-12-hidroxioctadecanoina, de consumo abundante na indústria de graxas e ceras polidoras. Por outro lado, a dehidratação do óleo de mamona, ou do ácido ricinoléico, por ação de catalisadores ácidos, conduz ao aumento
do grau de insaturação do composto pela formação de uma dupla ligação adicional em posição conjugada, resultando num produto secativo comparável aos óleos de tungue ou de linhaça.

Tudo sobre biodiesel