Faça sua Assinatura
Esqueceu a Senha? Ainda nao tem uma conta? Registrar
  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
  • Increase font size
  • Decrease font size
  • Default font size

O verdadeiro PORTAL do BIODIESEL

Participe da Conferência BiodieselBR 2008

Participe de graça do Catálogo do Biodiesel

Faça seu negócio crescer inscrevendo sua empresa.

As usinas de biodiesel do Brasil

Ficha detalhada de cada fábrica do Brasil (com informações de contato).

Aplicações para a Torta da Mamona

Imprimir E-mail
Participe da Conferência BiodieselBR 2008

Torta de mamona como alimento animal

Para o melhor entendimento do grande valor da torta de mamona veja a análise do teor de aminoácidos essenciais da torta de mamona e na torta de soja, onde se percebe que o produto extraído da mamona possui teores muito menores dos aminoácidos Triptofano e Lisina. Animais ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos) não dependem do balanço de aminoácidos da ração, pois os microrganismos que participam de seu processo digestivo sintetizam os aminoácidos essenciais, motivo pelo qual a torta de mamona é uma alternativa promissora como alimento para ruminantes. Porém, devido à escassez de alguns aminoácidos, ela não pode ser utilizada como única fonte protéica de animais monogástricos (cavalo, suíno, aves, peixes).

Na década de 60, a “Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S.A. – SANBRA” iniciou a produção de uma torta de mamona destoxificada denominada Lex Protéico (Perrone et al., 1966). A partir de então, algumas pesquisas com alimentação animal foram realizadas no Brasil, obtendo-se resultados satisfatórios com o uso desse produto. Por ser protegido por patente, o processo utilizado pela SANBRA não foi divulgado. O uso do Lex Protéico em diversos experimentos (relatados adiante) confirma a eficiente eliminação da toxidez, embora Perrone et al. (1966) tenham detectado a presença de alérgenos. Segundo ICOA (1989), a experiência de produção do Lex Poteico foi satisfatória, visto que o produto foi utilizado durante vários anos na alimentação de milhares de animais, sem que tenham sido relatados problemas com intoxicação. Não foram encontrados relatos na literatura sobre a razão por que o
Lex Proteico deixou de ser produzido e comercializado.

Também na década de 1960 houve significativos plantios de mamona nos Estados Unidos, notadamente no Estado do Texas, sendo concomitantemente realizados intensivos programas de alimentação animal com torta de mamona. O somatório de tecnologias desenvolvidas permitiu que se desenvolvesse um produto livre de toxidez, com boas qualidades nutricionais, utilizando-se processos baseados em calor e umidade, basicamente aquecimento por vapor. No entanto, o processo visava apenas à eliminação da toxicidade, mantendo-se a ressalva de que o produto ainda possuía alergenicidade, embora este tenha sido um problema mais relacionado às pessoas que manipulavam o produto que aos animas com ele alimentados (ICOA, 1989).

Miranda et al. (1961) testaram o uso da torta destoxificada (Lex Protéico) comparada à torta de soja na alimentação de vacas leiteiras. O Lex Protéico não intoxicou os animais e trouxe resultados próximos ao da torta de soja, embora os autores tenham expressado a necessidade de conduzir experimentos com maior duração para dispor de avaliação mais segura em relação ao produto.

Bose e Wanderley (1988) estudaram torta de mamona destoxificada em mistura com feno de alfafa em diferentes proporções para alimentação de ovinos e concluíram que a adição de torta de mamona ao feno de alfafa traz benefícios, aumentando a digestibilidade das proteínas e da energia, sem qualquer relato a problemas com intoxicação dos animais.

Em uma série de estudos realizados em 1979 na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, avaliou-se o efeito da torta destoxicada sobre o desempenho, valores hematológicos, proteinograma, atividade de algumas enzimas e alterações histopatológicas do fígado em suínos (Souza, 1979; Benesi, 1979; Vieira, 1979). O farelo de soja foi substituído pela torta de mamona em três níveis (33%, 66% e 99%) e se testou também a complementação da torta com aminoácidos essenciais e um tratamento com reautoclavagem para se verificar se ainda restava efeito tóxico na torta destoxificada. Concluiu-se que a substituição do farelo de soja por torta de mamona destoxificada piorou o desempenho dos suínos em várias características estudadas, inclusive causando danos ao fígado e anemia. Porém, esses sintomas foram causados pela deficiência de alguns aminoácidos essenciais e não por efeito tóxico de ricina. A complementação da dieta com os aminoácidos Lisina e Triptofano proporcionou desenvolvimento dentro da normalidade. A redução no teor de Lisina pode ter sido causada pela alta temperatura a que a torta possivelmente foi submetida no processo de destoxificação, efeito observado por Mottola et al. (1971).

A partir da década de 80 não foi mais possível encontrar relatos na literatura de pesquisas com o uso da torta de mamona para alimentação animal no Brasil. É provável que a torta de mamona destoxificada tenha se tornado pouco competitiva em relação à torta de algodão que estava disponível em grande quantidade e que tinha custo relativamente menor por não precisar ser submetida ao processo de destoxificação. Nos anos seguintes, a produção brasileira de mamona declinou acentuadamente e a quantidade de torta disponível deixou de ser uma das importantes alternativas para alimentação animal, o que provavelmente deixou de atrair a atenção de pesquisadores.