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Precipitação política atrapalhou uso de mamona no biodiesel

mamona-gr"Às vezes, essas políticas vêm de cima, como se tudo tivesse resolvido, e não está”
Cerca de quatro anos após o governo estimular intensamente a produção da mamona e do pinhão-manso para fabricação de biodiesel, como forma de resolver o problema de renda dos produtores do Semiárido nordestino, o projeto ainda não vingou. Segundo Pedro Arraes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), houve uma precipitação em se lançar programas antes de um estudo completo sobre a viabilidade econômica, de sustentabilidade e social, além de pesquisas mais avançadas.

“A velocidade da política nem sempre é a velocidade da técnica”, disse. Para Arraes, as políticas públicas precisam respeitar o tempo da pesquisa. “Não acredito que seja má intenção, é a vontade de resolver um problema. A Embrapa é vendedora de sonho. Então, às vezes a gente vai ao local e fala com uma plateia e a pessoa toma aquilo como pronto e já vira verdade, e não é feito estudo econômico, de sustentabilidade, social”.

No caso da mamona, ele explicou que um dos problemas foi a falta de capacitação dos pequenos agricultores para tirar a toxidade da planta. “Falaram assim [para os agricultor]: você planta mamona que vai produzir. Não se combinou com os maiores atores, que são os pequenos produtores. Às vezes, essas políticas vêm de cima, como se tudo tivesse resolvido, e não está”, acrescentou.

No caso do pinhão-manso, o problema se repetiu. “Trouxeram uma planta que é silvestre e disseram que ia resolver o problema do Brasil. Tem gente que plantou 2 mil hectares e está abandonada. Não trabalharam a qualidade do óleo, a maturação dela [da planta] é totalmente desuniforme, como vai colher isso aí?, indagou Arraes.

Um exemplo de programa bem estruturado, segundo ele, é o do dendê para a produção de óleo. “Esse é um programa que nasceu com política de crédito associada à técnica e ao zoneamento”, disse. Segundo o presidente da Embrapa, os produtores de dendê da Região Norte se associaram e fecharam contratos com empresas que se comprometeram a comprar todo o produto.

Danilo Macedo e Carolina Gonçalves

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Comentários  

-2 luiz francisco
19 Março 2012 - 13:06 pm

E não se tem no brasil hoje um estudo sobre a viabilidade econômica desas culturas. Para os agricultores essas culturas são novidade.
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+3 Cicero Ferreira da Silva
19 Março 2012 - 14:22 pm

Sou aposentado da Petrobras, multiplicador do programa do Governo Federal referente plantio de mamona pelo pequeno agricultor no sertão Central do Ceará. Estou triste com tanto faz de conta apresentada pela administração pública e não poder fazer nada. Se a Petrobras continuar com esse tipo de parceria está contribuindo com a corrupção pública. Enviarei carta a Presidente da Petrobras para os devidos fins. Sds, Cicero
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+3 Benedito carlos Lemos de carvalho
19 Março 2012 - 17:15 pm

Sobre a declaração do Presidente da Embrapa é importante ressaltar que, quando o Presidente Lula lançou o PNPB, tendo como matéria-prima a mamona, o fez com aval da pesquisa, já que desde 1960, com o DNPEA, a mamoneira vem sendo pesquisada. O antigo IPEAL desenvolveu importantes trabalhos com essa oleaginosa, bem como a SANBRA e o INFAOL. Com a extinção do DNPEA e a criação da Embrapa, em 1973, as atividades de pesquisa com essa oleaginosa passaram a ser conduzidas pela Embrapa, ainda na fase de representação nos Estados e, posteriormente, com a criação da Embrapa Algodão. Portanto, a Embrapa tem pouco mais de 4 décadas trabalhando com mamona. Nessas quatro décadas foram produzidos resultados expressivos com pesquisa sobre a mamoneira. O problema da mamona é que é uma cultura do Semi-Árido, cultivada por pequenos agricultores, sem acesso ao crédito rural e sujeita as variações da pluviosidade que ocorre todos os anos. A questão dos preços dos grãos da mamona está praticamente resolvida com o advento do programa biodiesel. Hoje não se fala mais em pagar R$ 30,00 por uma saca de 60kg de mamona. Antes do biodiesel, a ricinoquimica se abastecia e o excesso de produção servia para derrubar os preços da baga na safra seguinte. Hoje, a industria do biodiesel compra a mamona em igualdade de condições com a ricinoquimica, não deixando excesso de produção para derrubar o preço como acontecia anteriormente. É econômico produzir mamona para vender as bagas para a ricinoquimica e o biodiesel. Mamona irrigada tem rentabilidade maior que a soja e o girassol. O programa de mamona, tal qual o de dendê, também é associado à técnica e ao zoneamento.
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+2 Antonio Jorge Oliver
23 Março 2012 - 15:25 pm

Interessante o artigo com as citações de Pedro Arraes, presidente da EMBRAPA!! Melhor ainda os comentários de Benedito!!
O que todos estão esquecendo é que a sustentabilidade da lavoura da mamona jamias se dará sem CRÉDITO RURAL, sem investimento em novas tecnologias de dultivo e manejo do solo (subsolagem), utilização de SEMENTES e não grãos selecionados. Só com o uso de sementes já se experimenta o aumento de produtividade de 600 para 840 kg/ha no sertão da Bahia, conforme a CONAB e o esforço atual da PBIO em comprar a mamona da safra 2012 poderá repor o curso das açòes de melhoramento das relaçòes com os produtores com os bancos - BNB e BB através das cooperativas que atuam na região.
A migraçào dos irrigantes de cenoura, cebola, beterraba e tomate para a mamona, em função da menor exigência de água já se faz notar, inclusive com resultados positivos com relaçào à renda gerada na propriedade dos agricultores familiares.
O que embola o meio de campo do mercado da mamona é a competiçào da oleoquímica com os produtores de biodiesel em face ao aumento sucessivo da comoditie no mercado internacional.
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+1 MARCOS FERNANDES
26 Março 2012 - 14:16 pm

Há 4 anos venho falando sobre o uso de dinheiro publico para compras de votos (fiz muitos comentarios neste site). Fui responsavel pela logistica de compra de oleoginosas para a Petrobras por tres anos seguidos junto a usina de biodiesel da Petrobras de Quixada.

Até hoje, depois de mais de tres anos da inauguração da usina, a mesma trabalha com oleo de soja importado a mais de 2.500 km de distancia.

Absurdo politico. Falta de vergonha.
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