Precipitação política atrapalhou uso de mamona no biodiesel
- Segunda - 19 Mar 2012
- . Agência Brasil
"Às vezes, essas políticas vêm de cima, como se tudo tivesse resolvido, e não está”Cerca de quatro anos após o governo estimular intensamente a produção da mamona e do pinhão-manso para fabricação de biodiesel, como forma de resolver o problema de renda dos produtores do Semiárido nordestino, o projeto ainda não vingou. Segundo Pedro Arraes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), houve uma precipitação em se lançar programas antes de um estudo completo sobre a viabilidade econômica, de sustentabilidade e social, além de pesquisas mais avançadas.
“A velocidade da política nem sempre é a velocidade da técnica”, disse. Para Arraes, as políticas públicas precisam respeitar o tempo da pesquisa. “Não acredito que seja má intenção, é a vontade de resolver um problema. A Embrapa é vendedora de sonho. Então, às vezes a gente vai ao local e fala com uma plateia e a pessoa toma aquilo como pronto e já vira verdade, e não é feito estudo econômico, de sustentabilidade, social”.
No caso da mamona, ele explicou que um dos problemas foi a falta de capacitação dos pequenos agricultores para tirar a toxidade da planta. “Falaram assim [para os agricultor]: você planta mamona que vai produzir. Não se combinou com os maiores atores, que são os pequenos produtores. Às vezes, essas políticas vêm de cima, como se tudo tivesse resolvido, e não está”, acrescentou.
No caso do pinhão-manso, o problema se repetiu. “Trouxeram uma planta que é silvestre e disseram que ia resolver o problema do Brasil. Tem gente que plantou 2 mil hectares e está abandonada. Não trabalharam a qualidade do óleo, a maturação dela [da planta] é totalmente desuniforme, como vai colher isso aí?, indagou Arraes.
Um exemplo de programa bem estruturado, segundo ele, é o do dendê para a produção de óleo. “Esse é um programa que nasceu com política de crédito associada à técnica e ao zoneamento”, disse. Segundo o presidente da Embrapa, os produtores de dendê da Região Norte se associaram e fecharam contratos com empresas que se comprometeram a comprar todo o produto.
Danilo Macedo e Carolina Gonçalves
Comentários
19 Março 2012 - 13:06 pm
19 Março 2012 - 14:22 pm
19 Março 2012 - 17:15 pm
23 Março 2012 - 15:25 pm
O que todos estão esquecendo é que a sustentabilidade da lavoura da mamona jamias se dará sem CRÉDITO RURAL, sem investimento em novas tecnologias de dultivo e manejo do solo (subsolagem), utilização de SEMENTES e não grãos selecionados. Só com o uso de sementes já se experimenta o aumento de produtividade de 600 para 840 kg/ha no sertão da Bahia, conforme a CONAB e o esforço atual da PBIO em comprar a mamona da safra 2012 poderá repor o curso das açòes de melhoramento das relaçòes com os produtores com os bancos - BNB e BB através das cooperativas que atuam na região.
A migraçào dos irrigantes de cenoura, cebola, beterraba e tomate para a mamona, em função da menor exigência de água já se faz notar, inclusive com resultados positivos com relaçào à renda gerada na propriedade dos agricultores familiares.
O que embola o meio de campo do mercado da mamona é a competiçào da oleoquímica com os produtores de biodiesel em face ao aumento sucessivo da comoditie no mercado internacional.
26 Março 2012 - 14:16 pm
Até hoje, depois de mais de tres anos da inauguração da usina, a mesma trabalha com oleo de soja importado a mais de 2.500 km de distancia.
Absurdo politico. Falta de vergonha.
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