Algas

Microalgas marinhas também podem produzir biocombustíveis


BiodieselBR.com - 28 nov 2012 - 14:56 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstrou que as microalgas marinhas podem ser tão eficazes quanto suas primas de água doce na produção de biocombustíveis. Essa foi a primeira vez que essa possibilidade é cientificamente confirmada por uma pesquisa pública – já há empresas pesquisando essa possibilidade, mas os resultados obtidos são tratados como segredo comercial. O paper contendo as conclusões da pesquisa foi publicado semana passada no jornal Algal Research.

Embora a conclusão possa soar menos importante – ou até banal –, isso representa um tremendo salto adiante na pesquisa de microalgas. Os esquemas de produção de biocombustíveis baseados em variedades de água doce enfrentam restrições importantes uma vez que elas ocupam grandes áreas e consomem recursos hídricos em escalas significativas o que cria barreiras tanto financeiras quanto práticas à tecnologia. 

O uso de espécies de água salgada permitiria mover as fazendas de criação diretamente para os oceanos. Com isso cerca de 70% da superfície do planeta e mais de 97% das águas se tornam aptas ao cultivo de bioenergia. “Não sofremos mais das restrições associadas à água doce. Os oceanos simplesmente não são um recurso limitado em nosso planeta”, comemorou o professor de biologia da Univesidade da Califórnia, Stephen Mayfield, que liderou o projeto de pesquisa que mensurou o potencial da espécie Dunaliella tertiolecta.

“Sempre assumimos que poderíamos fazer as mesmas coisas [que são feitas com as algas de água doce] também com as espécies marinhas, mas havia debate na comunidade científica”, completa o biólogo.

Isso ainda não significa que teremos fazendas de microalgas em alto-mar num futuro próximo. O próprio Mayfield avalia que a produção continuará sendo feita em tanques localizados em terra firme, mas isso abre a possibilidade de que sejam aproveitadas terras menos produtivas e as águas de aquíferos salinos. Um relatório do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico (PNNL, no original em inglês) indica que o aproveitamento dessas fontes permitiria produzir aproximadamente 150 bilhões de litros de biocombustíveis apenas nos Estados Unidos.

Um estudo relatório recente do Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos apontou que, dentro do atual paradigma tecnológico, os biocombustíveis de algas ainda não eram sustentáveis. Segundo, o pesquisador, os novos dados representam um passo adiante. 

Principal associação da indústria norte-americana de algas, a Algae Biomass Organization (ABO) comemorou a publicação do estudo. “Os resultados da pesquisa do dr. Mayfield deverão eliminar as preocupações relacionadas à escala comercial dos combustíveis e outros produtos feitos de algas”, disse a diretora executiva da entidade, Mary Rosenthal, em comunicado à imprensa.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações: ABO, EcoSeed e UPI