Zoneamento Mamona: Pesquisador destaca relevância da altitude
Discussões envolvendo o zoneamento da mamona pairaram sobre a reunião de ontem do Agropacto. O tema foi “Bioenergia: Estágio da pesquisa de matéria-prima adequada ao Nordeste”. A mamona foi um dos destaques da palestra, ministrada pelo pesquisador da Embrapa Algodão, de Campina Grande, Napoleão Esberard Macedo Beltrão. Segundo ele, o grão que, há cinco anos, não tinha financiamento do governo, hoje, tem 90% do Nordeste liberado para seu plantio. Só no Ceará, são 400 mil ha. Para ele, nesse sentido, “o zoneamento é proteção do produtor”.
Expondo sobre as formas de cultivo da mamona, o pesquisador se remete, diretamente, à questão do zoneamento. O ponto polêmico está na restrição de locais com altitudes abaixo de 300mm para o plantio. Napoleão Beltrão demonstrou sua discordância. “Tem gente dizendo por aí que altitude não importa. Mas a altitude tem muita interferência, sim, na produção”. Beltrão explica que, com a baixa altitude (como nas faixas litorâneas), o teor de óleo e a produtividade caem. Ele cita o exemplo da Bahia, que “tem toda sua mamona plantada acima de 600mm”.
Apesar disso, o pesquisador sinalizou a realização de pesquisas que poderiam mudar esse quadro. De acordo com ele, existem demandas, hoje, que a Embrapa busca atender, pesquisando novas variedades. Seria um cultivares de mamona que tenha insensibilidade à altitude, maior precocidade, maior produtividade e tolerância ao mofo e ao apodrecimento da raiz.
Beltrão admite que aconteceram distorções no zoneamento da mamona, o que acabou englobando áreas de baixa altitude e deixando outras mais aptas de fora. Assim como houve casos de datas de plantio (calendário agrícola) fora do contexto local. Segundo o pesquisador, distorções foram devido à mudança da equipe e do método como foi feito o zoneamento. “Estamos tentando sanar”, adianta.
Limoeiro do Norte ficou fora do zoneamento, mas a experiência deu certo. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural, incentivou o cultivo de 500 hectares de mamona, com subsídios para o preparo do solo, assistência técnica e a organização dos produtores. Mas como o município não é zoneado, os produtores não tiveram acesso a financiamentos e outros benefícios. O secretário Nilton Oliveira, espera que o zoneamento seja revisto para estimular o cultivo da mamona.


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