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UFRGS quer produzir mamona transgênica

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quinta, 09 junho 2005 . Valor Econômico   
Revista BiodieselBR
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Após concluir o seqüenciamento de parte do genoma da mamona, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pretende desenvolver, a partir do próximo semestre, sementes geneticamente modificadas da oleaginosa. O objetivo é elevar a capacidade da planta de absorver metais do solo, para utilizá-la como agente de descontaminação em áreas degradadas.

Os estudos vêm sendo realizados há quatro anos, antes, portanto, de a mamona ser escolhida pelo governo federal como principal opção para a produção de biodiesel. O grupo centralizou as pesquisas em plantas capazes de absorver e acumular cádmio, chumbo e cobre - metais mais encontrados no meio ambiente, e também os que causam mais estragos. No Rio Grande do Sul, há contaminação do solo principalmente nas regiões da Campanha Gaúcha - onde se utiliza cobre para pulverização das videiras - e São Pedro do Butiá e Minas do Leão (reservas de carvão, que contêm chumbo e cádmio).

Marcelo Gravina de Moraes, professor do Laboratório de Fitopatologia Molecular da Faculdade de Agronomia da UFRGS, diz que o grupo testou 43 espécies de plantas que sobrevivem bem em áreas degradadas. Nos testes, quatro espécies apresentaram as maiores capacidades de absorver metais - duas de carqueja (Heterothalamus alienus e Bacharis trimera), uma de aroeira (Schinus lenticifolius) e uma de mamona (Ricinus communis).

Moraes aponta como vantagens da mamona em relação às outras duas a liquidez nas vendas, o ciclo curto (quatro meses) e o fato de a oleaginosa não ser usada para consumo humano ou animal. Conforme os testes, a mamona acumula em torno de 0,25 grama de metais por quilo de planta seca. Considerando-se que a produtividade média da cultura no Brasil é de 781 quilos por hectare, segundo a Conab, em condições naturais a cultura seria capaz de absorver, em média, 195 gramas de metais por hectare por safra.

As outras plantas acumulam entre 3 e 8 gramas de metais por quilo, segundo Moraes. A meta dos pesquisadores é inserir no DNA da mamona genes da carqueja ou da aroeira que possam elevar a sua capacidade de absorção de metais, sem alterar as outras características genéticas da planta. "Outra pergunta do projeto é saber se é possível a planta produzir o óleo sem resíduos de metais". Moraes observa que, nos testes realizados, a mamona acumulou metais nas folhas, hastes e raízes, e os metais não se misturaram às células adiposas, que acumulam o óleo. Segundo ele, a pesquisa deve ser concluída em dois anos. Neste momento, a UFRGS procura parceiros para financiar o projeto de pesquisa, que entre 2001 e 2004 foi financiado com recursos do CNPq. O valor investido no trabalho não foi divulgado.
Revista BiodieselBR
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