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Mamona é promessa para produtor familiar


Zero Hora - Campo e Lavoura - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Com área atual de 200 hectares plantados no Estado e alto potencial para produção de biodiesel, a mamona pode mudar o perfil da agricultura familiar na Metade Sul e na Fronteira Oeste. Características como adaptabilidade a solos mais arenosos, resistência à seca e maturação não-uniforme são pontos positivos para tornar a planta mais atraente do que soja, canola e girassol nas duas regiões.

De acordo com relatos feitos ontem em seminário da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag) sobre biodiesel, o cultivo de mamona apresentou boas respostas. O agricultor Volnei Freitas, de Caçapava, relatou que plantou 18 hectares da planta na última safra ao lado de uma lavoura de soja. Enquanto a seca destruiu a soja, a mamona apresentou uma colheita de 900 quilos por hectare.

- O fato de o amadurecimento da mamona não ser uniforme torna a planta mais indicada para áreas de agricultura familiar, com colheita manual - diz o agrônomo Valdecir Zonin, assessor da Fetag.

O técnico afirma que os agricultores devem levar em conta as características de cada local para escolher uma das quatro culturas indicadas para o biodiesel. Os produtores defendem que as usinas que se instalarem no Estado respeitem também as características agronômicas e culturais de cada região. Até agora, os três projetos mais avançados para produção de biodiesel são da empresa Bsbio (Passo Fundo), da Cotrimaio (Três de Maio) e da Cotrijuí (Ijuí).

O presidente da Fetag, Ezídio Pinheiro, recomenda que o início da produção de oleaginosas para biodiesel seja precedido de debates:

- Sem a aproximação da pesquisa, da assistência técnica, da capacitação e de empresas interessadas, não teremos êxito - comenta.