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Fazenda modelo produz mamona para o biodiesel no interior do Piauí

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quarta, 03 agosto 2005 . Agência Brasil   
Revista BiodieselBR
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A mesma empresa responsável pela usina de produção de biodiesel que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura esta semana no interior do Piauí também mantém a 200 km da fábrica uma unidade modelo na produção de mamona que é matéria-prima para o combustível. A reportagem da Radiobrás visitou na semana passada a Fazenda Santa Clara, em Canto do Buriti (cerca de 450 km ao sul de Teresina) e acompanhou a colheita de mamona que acontece no local. Ali, 624 famílias, segundo a Brasil Ecodiesel, já participam da produção.

A área, de cerca de 50 mil hectares, segundo a empresa, era propriedade do governo do Piauí e abrigava um antigo projeto de cultivo de caju, que fora abandonado. A fazenda foi cedida à empresa em troca do compromisso da partilha da terra entre famílias contratadas para produzir a mamona. As famílias, ainda segundo a empresa, assinaram contrato por meio do qual se comprometem a cultivar mamona durante dez anos em parte de um terreno de cerca de 9 hectares. Um hectare serve como "quintal" para o morador e seu uso é livre. Em cinco hectares, o agricultor planta mamona e feijão consorciados. Em mais três hectares, planta apenas mamona. Até agora, segundo o gerente Ricardo Ramos, já foram plantados 4,5 mil hectares.

Os agricultores também recebem uma casa de 44m², com infra-estrutura de luz e abastecimento de água. Em dez anos, se cumprirem o contrato, recebem a escritura do terreno. A empresa oferece ainda escola gratuita e assistência médica, entre outros serviços. As casas são organizadas em círculos, as chamadas células, e os terrenos, atrás das casas, seguem de forma radial. Hoje, já há 18 células, cada uma com 35 famílias, em média. Nos quintais das residências, já há árvores frutíferas plantadas e pequenas lavouras de subsistência, como mandioca e cana.

O contrato com os agricultores ali é diferente do que a empresa vem assinando em outros locais com cerca de 20 mil famílias. Na Santa Clara, o solo é preparado pelas máquinas da empresa, o que aumenta a produtividade. Ali, já na primeira safra, este ano, algumas famílias estão colhendo mais de 1.000 kg por hectare, segundo relato do agricultor João Bosco Dias dos Santos. "A mamona é muito adaptada para o semi-árido. Com poucos milímetros de chuva por ano, ela consegue tirar uma produtividade razoável", explica o gerente da empresa Ricardo Ramos.

Encontramos João Bosco próximo à sede da administração da Santa Clara. Ele já terminou de colher a mamona em seu lote e agora procura algum serviço temporário até a próxima safra. Atualmente recebe R$ 150 mensais pela colheita que já fez e diz que, se não arranjar serviço por ali, vai procurar trabalho temporário a 50 km dali, na colheita e beneficiamento da castanha de caju. "Aqui está muito bom. Antes morava na cidade, mexia com oficina de bicicleta. Aqui tenho casa, escola e ainda vou ganhar o lote. Está bom demais", conta ele.

Além da renda obtida com a mamona, ainda há o feijão plantado com sementes doadas pela empresa. O gerente Ricardo Ramos calcula que é possível conseguir cerca de 20 sacas de 60 kg de feijão nos 5 hectares em consórcio com a mamona. Pelo preço praticado da região, ele calcula que cada família de agricultores tenha conseguido mais R$ 1000, em média, com o produto.

Segundo Ramos, este ano, apenas 35 a 40 famílias desistiram do projeto - 6% do total de famílias envolvidas no projeto. Os lotes abandonados são entregues a uma nova família. O gerente conta que, desde maio, estão sendo colhidas e descascadas 30 toneladas de mamona por dia – um processo que, ele calcula, envolverá 140 dias por ano. "É um programa bem bolado. Geralmente, num jogo, um dos dois tem que ganhar. Aqui não, aqui, no final, os dois lados vão ficar empatados. Todo mundo ganha", diz ele.

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