Ceará: produção de biodesel abaixo da demanda
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quarta, 27 dezembro 2006
. Diário do Nordeste
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Não chega a 50% o fornecimento da mamona cultivada no Ceará para as empresas produtores de biodiesel. Esta realidade não vai mudar tão cedo. Dessa maneira o consultor da coordenação de biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Stephan Gortz, expõe a situação atual da produção da oleaginosa no Estado. Segundo ele, por meio do Programa Nacional do Biodiesel, é incentivada a participação da agricultura familiar no projeto. A prerrogativa do MDA é que até 50% da mamona adquirida no Nordeste pelas empresas de biodiesel seja da agricultura familiar, mas não necessariamente só do Ceará.
Fornecimento
Na Brasil Ecodiesel, em Crateús, os termos são os mesmos. Gortz ressalta que nunca foi previsto que o Ceará fornecesse 100% da matéria-prima para a usina. A mamona para isso virá também de outros Estados do Nordeste. Ainda assim, o consultor destaca que o Estado tem margem para crescimento de sua produção “até para os próximos 50 anos”. Na opinião do consultor, viabilidade para cultura da mamona existe, o que precisa melhorar agora é a produtividade, o aumento das terras destinadas ao cultivo e a assistência técnica.
Preço, produtividade e mercado têm que estar integrados nesse processo. O preço atual negociado entre Brasil Ecodiesel e a Confederação dos Trabalhadores da Agricutlura (Contag), R$ 0,58 para o quilo nesta safra, ainda não compensa para agricultores. Para a empresa, a margem de lucro também é pequena. De R$ 1,16 de custo do produto final, o óleo é vendido a R$ 1,73 para Petrobras.
Ainda assim, Gortz não acredita que outra empresa possa pagar melhor. “O preço pode não ser ótimo, mas é garantido”, diz, contrapondo à situação do mercado. Ele conta que agricultores que ficaram receosos de negociar com a usina, acabaram a mercê das variações do mercado. “O mercado acabou pagando um preço menor que a empresa. Como a produção de mamona vem aumentando no País, o preço pode diminuir mais”. Ele diz ainda que o preço é determinado de cima para baixo, baseado no preço do diesel.
Para o agricultor familiar, há alternativas para aumentar a margem de lucro. Segundo o consultor, isso depende muito do agricultor, da confiança nos bons resultados da cultura. Começando pelo aumento da área cultivada. Geralmente, ele vem destinando apenas um hectare a mais da propriedade para mamona, quando o ideal seria, pelo menos, três hectares. Aliada a isso, a assistência técnica também deve melhorar. “Sempre haverá comprador para produção da agricultura familiar. O grande desafio desse segmento é conseguir ter produtividade que compense no preço”, defende Gortz.
No Ceará, a imensa maioria dos agricultores ainda não se organizou. Agora, a Brasil Ecodiesel e a Petrobras — que em breve chegará a Quixadá — já estão incentivando a criação de cooperativas. “Para a empresa é mais difícil lidar com milhares de contratos individuais. É uma medida que, sobretudo, dará mais operacionalidade à produção”, explica.
Agora, é só contar com o crescimento da produção. Crescimento esse que, afirma Stephan Gortz, tem mercado garantido para o pequeno produtor.
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