Maeda reduz plantio de soja e aposta em bioenergia
A Maeda Agroindustrial, tradicional grupo de produção agrícola no Brasil, deverá na safra 2006/07 reduzir a área cultivada com soja e ampliar o plantio de algodão, além de continuar com investimentos em bioenergia, uma nova opção estratégica.
Jorge Maeda, presidente da empresa, disse em entrevista à Reuters acreditar que a demanda por energia para movimentar veículos, por exemplo, vai crescer mais que a demanda por alimentos, o que o motivou a desenvolver planos tanto para produção de álcool quanto para biodiesel.
"A produção de alimentos e fibras cresce 3 por cento ao ano no mundo, enquanto a população cresce 1,5 por cento. O crescimento vegetativo é menor que a capacidade produtiva de alimentos", afirmou Maeda, que está participando da reunião plenária do ICAC (International Cotton Advisory Committee), indicando uma fragilidade na tendência futura dos mercados de alimentos.
"E eu acredito que estes milhões de pessoas que estão entrando no mercado de consumo, como na Índia e na China, vão gastar muito mais dinheiro em energia, comprando carros, por exemplo, do que em comida", afirmou o empresário, um dos mais tradicionais produtores de algodão do país.
A Maeda Agroindustrial iniciou o cultivo de cana-de-açúcar em Goiás e está construindo uma usina no município goiano de Edéia.
A unidade, quando concluída, terá capacidade para moer 5 milhões de toneladas de cana por ano. Ela deve começar a operar em 2008, moendo 1,3 milhão de toneladas inicialmente.
O executivo diz que a empresa está analisando também o setor de biodiesel, que segundo ele será viável no país se o governo brasileiro modificar um pouco o desenho do programa, desonerando as tarifas sobre o uso de óleo de soja e deixando de priorizar apenas pequenos produtores de matérias-primas.
MENOS SOJA, MAIS ALGODÃO
Maeda afirmou que a empresa vai reduzir a área total de cultivo na safra 2006/07 de 65 mil hectares para 55 mil hectares, priorizando regiões mais próximas dos portos, para reduzir o custo de transporte.
Além de uma área total menor, a proporção de soja cultivada vai cair 25 por cento, e a de algodão vai ser elevada em 20 por cento.
Apesar de considerar o algodão um melhor negócio que a soja no Brasil na próxima safra, ele afirma que ainda não há uma clara indicação da tendência para o mercado de algodão, principalmente pelo comportamento recente da China, que não tem dado sinais sobre sua demanda futura pelo produto.
"Os chineses não têm entrado no mercado (recentemente). O pessoal está tentando descobrir o que a China vai fazer, mas não tem indicação."
A China tem sido o grande fator do mercado de algodão, como acontece também em outros mercados de matérias-primas.
O ICAC estima que a China irá consumir em 2006/07 10,5 milhões de toneladas de fibra, levando o consumo mundial para o nível recorde de 25,7 milhões de toneladas. A produção mundial está estimada em 24,7 milhões de toneladas.
Maeda afirmou que está buscando reduzir o custo de produção, tanto em algodão como em soja, para garantir rentabilidade, que ele afirma que continuará apertada devido ao dólar baixo ante o real.
"Não acho que esse patamar vai mudar (do dólar). Precisamos nos adaptar a isso, reduzir o custo de produção."
Por Marcelo Teixeira


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