Em busca de energias alternativas
A Agência Internacional de Energia estima que 30% da matriz energética do mundo, até o ano de 2020, será composta por biocombustíveis. Países como Estados Unidos e Alemanha já fornecem incentivo para que este tipo de combustível tenha competitividade com outros produtos, mas isso ainda não está acontecendo no Brasil. Este assunto foi discutido ontem, em Curitiba, durante a apresentação do Workshop Núcleo de Conhecimento da Feira Internacional do Setor Sucroalcooleiro (Feisucro) 2005. O evento contou com a presença do vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti.
O professor Miguel Dabdoub, presidente do projeto Biodiesel Brasil e da Câmara Paulista de Biocombustíveis, explica que o País não pode perder a oportunidade de investir nesta área. Já há uma legislação aprovada sobre este tipo de combustível, mas ainda não foram feitas discussões sobre itens essenciais, como preço de mercado e competitividade. “O Brasil não pode perder esse trem. Senão, este movimento mundial será liderado por outros países”, comenta.
Para ele, será inevitável a implantação de biocombustíveis no Brasil, principalmente com o constante aumento do preço do barril, que hoje custa US$ 66. “É uma questão de tempo, mas não queremos que demore tanto”, avalia Dabdoub. De acordo com ele, o próprio mercado já alimenta uma grande expectativa para a entrada deste combustível. Testes estão sendo feitos por grandes montadoras de veículos e outras empresas do setor.
O presidente do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da Sociedade Rural Brasileira, Maurílio Biagi Filho, diz que chegou o momento de fazer uma pequena substituição do petróleo. Hoje, 2% dos combustíveis no mundo são alternativos. A meta é passar para 6% nos próximos anos. Um dos produtos que se destacam neste cenário é o álcool. “O Brasil, indiscutivelmente, é o mais desenvolvido na tecnologia da cana. Hoje produz 900 mil barris equivalentes de petróleo, uma contribuição muito importante ao País”, afirma.
Ele informa que a produção atual, de 16 bilhões de litros, deverá crescer para 30 bilhões, dependendo do desempenho dos carros flex, que comportam gasolina e álcool. “O álcool agora vai dar uma deslanchada porque o consumidor vai poder optar pelo combustível que quer”, opina Biagi. Para alcançar esta meta, seriam necessários três milhões de hectares de cana-de-açúcar a mais do que hoje, totalizando nove milhões de hectares de área plantada. “Não tem nenhum vegetal de transformação em energia como a cana”, declara Biagi. Há 40 a 50 projetos de implantação de usinas em todo o Brasil. O Paraná é o segundo estado brasileiro em produção de cana-de-açúcar.
Os biocombustíveis e o desempenho do setor de cana serão os temas principais da Feisucro 2005, que será realizada entre os dias 7 e 10 de novembro, em São Paulo. Simultaneamente haverá eventos como o Congresso Internacional dos Biocombustíveis, Encontro Internacional dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Seminário Internacional de Cana-de-Açúcar Irrigada e Seminário de Tecnologia da Informação para o Setor Sucroalcooleiro.


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