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Seg28072014

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Frete para escoar a soja tem forte alta

Mantidas as atuais perspectivas para o comportamento de câmbio e preços do óleo diesel e da soja, os produtores mato-grossenses do grão deverão conviver com custos recordes de fretes para o escoamento da colheita do Estado nesta safra 2005/06.

Estudo realizado pela consultoria Agrosecurity sinaliza que em março próximo, quando as vendas da produção do Centro-Oeste estarão a pleno vapor, o frete para o transporte do Mato Grosso ao porto de Paranaguá (PR) deverá representar 37,5% do preço da tonelada da soja, ante 28,8% no mesmo mesmo mês de 2005 e 17,3% em março de 2004.

Fernando Pimentel, da Agrosecurity, leva em conta em seus cálculos que a tonelada será vendida em março em Paranaguá por R$ 539,50 (FOB), 16,5% menos que em março do ano passado (R$ 646), e que o frete estará em R$ 202,40 por tonelada, 8,8% maior. Pimentel prevê o dólar americano a R$ 2,30, ante R$ 2,70 em março de 2005.

A estimativa de queda do preço de venda da soja está em linha com o atual momento do mercado internacional, de cotações pressionadas pelo gordos estoques globais do grão. Já o aumento dos fretes decorre do encarecimento do óleo diesel em virtude dos elevados preços do petróleo.

"Soja é logística, e no cenário atual o frete vai pesar mais", concorda Seneri Paludo, da Agência Rural. Em suas contas, o frete de Sorriso (médio-norte do Mato Grosso) a Paranaguá - cerca de 2,1 mil quilômetros -, que nesta época do ano passado custava R$ 180, hoje não sai por menos de R$ 200. "Em Paranaguá, a saca de 60 quilos para entrega em abril está em US$ 12,60. Descontado o frete, sobrará para o produtor US$ 7,40", afirma ele.

Paludo explica que, normalmente, o valor do frete é descontado pela trading exportadora do valor pago ao produtor, que leva em consideração preços e prêmios praticados. Mas que, obviamente, esse alto custo não é bom para nenhum elo da cadeia.

Refeita por outro ângulo, a equação do analista da Agência Rural chega à conclusão de que, com os preços baixos do grão e os fretes em alta, e com o dólar a R$ 2,30, o produtor precisaria de uma rentabilidade de 61,41 sacas por hectare para permanecer no azul, sendo que a produtividade média do Mato Grosso deve alcançar 51 sacas por hectare em 2005/06. O Estado é o maior produtor de soja do país, com colheita prevista de aproximadamente 17 milhões de toneladas pela Conab nesta temporada.

Elton Hamer, que planta 620 hectares de soja em Sorriso, começa a colheita em sua lavoura na semana que vem, e estima que o valor do frete poderá ultrapassar a barreira de US$ 90 por tonelada quando o ritmo de comercialização aumentar e a demanda por caminhões estiver mais firme do que está atualmente.

De acordo com estimativas da Fundação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), a colheita no Estado já alcançou entre 5% e 7% da área plantada. "A maioria dos produtores ainda não está contratando o transporte e esse custo pode ser maior quando crescer a procura", reitera Hamer. O produtor concorda que fatores como o diesel também podem estimular um aumento ainda maior do frete, e diz que sua receita em real está pressionada pelo dólar fraco.

Para Hamer, o custo do escoamento da soja produzida no Mato Grosso seria menor se houvesse uma reforma em um trecho de mil quilômetros da BR 163, que liga o Mato Grosso ao porto de Santarém (PA). O custo, conforme ele, poderia ficar até 40% mais em conta do que no caso do transporte até Paranaguá.

Mas outros fatores também estão encarecendo o cultivo de soja neste ano no Mato Grosso. Entre eles está o aumento das aplicações de defensivos para controlar o fungo da ferrugem asiática, que hoje podem absorver US$ 80 por hectare, equivalentes à aplicação de quatro doses de fungicida. Em safras anteriores, a média foi de uma a duas aplicações por hectare.

Nelson Piccoli, produtor em Sorriso e presidente do Sindicato Rural no município, confirma o aumento nos custos de produção e diz que, se em 2005 a receita das lavouras não gerou lucro, para este ano a expectativa é de prejuízo por conta, principalmente, dos preços baixos do grão. "O custo de produção e o preço da soja não deixam espaço para pagar investimentos ou ampliar o plantio. Este ano será complicado, e a safra 2006/07 passa a ser um mistério". Sorriso planta 600 mil hectares de soja, cultivados por cerca de 1,3 mil produtores.

Valdir Correa da Silva, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), diz que, ainda que a maioria dos produtores venda a safra para tradings (que descontam o valor do frete pela entrega em Paranaguá), "40% da colheita no Mato Grosso é esmagada em Rondonópolis e fica no próprio Estado, e o produtor muitas vezes paga um frete que não será feito".

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