Consumidor começa a rever vantagens
Álcool se aproxima dos 70% que determinam se o preço vale a pena.
Nos postos de gasolina, a pergunta dos frentistas ficou difícil: álcool ou gasolina? Os donos de carros flex, que antes optavam pelo álcool, por ser mais barato, agora fazem contas antes de abastecer. Para mim, ainda compensa o álcool, mas é por muito pouco, diz o taxista Cláudio Bellini. Quando comprei meu carro bicombustível, o álcool custava R$ 0,85 o litro. Agora, quase dobrou e eu fico fazendo contas para saber o que colocar no tanque.
O fornecedor de acessórios de papelaria Luiz Caldeira diz que é tudo uma questão de bolso. Segundo ele, o Palio Weekend que comprou há um ano anda bem com álcool. Ainda vale a pena, só que eu paro muito mais vezes no posto do que se abastecesse com gasolina, contou, enquanto enchia o tanque de álcool.
O gerente do posto onde estava Caldeira, Pedro Batista Filho, também possui um bicombustível. Acho que hoje o consumidor não pode mais pensar nesse tipo de carro pensando na vantagem de preço do álcool, opina. A maior vantagem hoje é não est! ar preso a um combustível só e ter opção de escolher o mais barato do dia, ou o mais adequado para andar na cidade, na estrada, etc. Na maioria das vezes, Batista abastece seu carro com gasolina. Mas há quem pense que ter essa opção é pouco pelo investimento feito. A comerciante Márcia Severo nem esperou a reportagem do Estado terminar a pergunta. Não valeu a pena investir num carro bicombustível, falou logo, sobre sua Zafira. Foi mais caro que um carro normal, não acho que anda bem como um carro de um combustível só e agora acabou a vantagem do preço do álcool. Ela diz que pretende trocar de carro se o preço do álcool aumentar novamente e alguns parentes farão o mesmo.
O representante comercial William Almeida também se diz insatisfeito. Após encher o tanque de gasolina, disse que está pensando em trocar de carro. Em alguns postos já não acho mais álcool e, quando acho, o preço não é bom. Antes do Palio que dirige hoje, Almeida tinha um carro a gás. Comprei o bicombustíve! l há um ano, por ser mais versátil e porque o álcool traria um! a boa ec onomia. Mas acho que está na hora de pensar seriamente em voltar para o gás.
Como calcular a melhor opção
Para donos de carros bicombustíveis, o álcool é mais vantajoso economicamente se o preço não ultrapassar 70% do preço da gasolina. Isso porque o poder calorífico do álcool é de 25% a 30% menor que o da gasolina, explica o gerente de relações institucionais da Society Automotive Engineers Brasil (SAE), Fábio Braga. Portanto, um tanque cheio de álcool vai andar menos que o mesmo tanque cheio de gasolina. Com a gasolina a R$ 2,45 e o álcool a R$ 1,54, segundo a média nacional, o combustível de cana ainda é vantajoso: custa 63% do preço da gasolina. Mas está bem próximo de alcançar o limite, diz Braga. Ele aconselha os consumidores a fazerem a conta antes de escolher qual combustível usar, se quiserem saber qual é melhor economicamente.
Mas lembra que o álcool tem outra vantagem: é menos poluente e agressivo ao meio ambiente.


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