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Aviação entra na onda do biocombustível

Companhias aéreas e fabricantes de aviões investem para reduzir emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa

As emissões de gases pelos aviões crescem a taxas superiores às de outros setores; desde 1990, houve um aumento de quase 90%

O aquecimento global chegou ao mundo da aviação. Conceitos como redução de emissões, compensação de créditos de carbono e, mais recentemente, financiamento de pesquisas de biocombustíveis fazem parte atualmente do vocabulário das companhias aéreas e de fabricantes de aviões.

O último avanço nesse sentido foi divulgado na semana retrasada, quando a companhia aérea britânica Virgin Atlantic anunciou que fará uma demonstração em 2008, em parceria com a Boeing e a GE Aviation, do uso de biocombustível de aviação -ou bioquerosene.

Com os investimentos para reduzir emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, em especial o dióxido de carbono (CO2), as empresas aéreas querem evitar ficar na linha de tiro em um momento de crescente preocupação com o aquecimento global.

As emissões de gases pelos aviões crescem a taxas superiores às de outros setores -desde 1990, houve um aumento de quase 90%. A avaliação é que o volume de gases emitidos pode duplicar entre este ano e 2020.

"Nos últimos anos, com o crescimento da economia global e a desregulamentação do setor, o tráfego aéreo vem crescendo muito, o que levanta a preocupação com as emissões", lembra Alessandro Oliveira, do Nectar (Núcleo de Estudos em Competição e Regulação do Transporte Aéreo), do ITA.

Um dos caminhos para amenizar a situação é o bioquerosene, patenteado em 1980 pelo brasileiro Expedito Parente, que também inventou o biodiesel. Prestes a assinar o seu terceiro contrato com a Boeing e a Nasa, ele diz que foi taxado de louco na época. ""Todo mundo achava que óleo vegetal era coisa que vinha em latinha, ninguém acreditava na produção em escala comercial. Fui apelidado de poeta da tecnologia."

Hoje, ele é dono da Tecbio, empresa de desenvolvimento de plantas para usinas de biocombustível e referência mundial no setor. O combustível surgiu quase por acaso. Parente procurava parcerias para o biodiesel e a Aeronáutica aceitou a proposta, mas tinha interesse, de fato, no bioquerosene. "Assinei um calhamaço enorme de papéis em que comprometia até o meu anjo da guarda."

Atualmente, as companhias aéreas investem principalmente na redução das emissões de gases de efeito estufa, em especial o dióxido de carbono (CO2), com o avião em solo. "Uma forma é fazer o avião taxiar na pista com apenas um motor", diz Fabio Scatolini, consultor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Ele estima que no Brasil as emissões de gases por aviões representem 3% do total de petróleo queimado no país, abaixo da média mundial.

Na semana passada, a TAM informou uma parceria com a ONG WWF com o objetivo de desenvolver um programa de compensação de emissões de gases na atmosfera.

A idéia é que o passageiro pague, se quiser, um valor a mais para comprar créditos de carbono, compensando as emissões de seu vôo. "Em um cálculo preliminar, se cada passageiro de uma ponte aérea pagar R$ 5, as emissões seriam compensadas", diz Carlos Alberto Scaramuzza, da WWF Brasil.

JANAINA LAGE
MAELI PRADO

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