EUA e parceiros prometem fundo para projetos de energia limpa
Seis dos países mais poluentes do mundo, liderados pelos Estados Unidos, devem criar um fundo multimilionário para encorajar os setores de mineração e de geração de energia a desenvolver e usar tecnologias de energia limpa a fim de combater as mudanças climáticas.
A Parceria Ásia Pacífico para o Desenvolvimento Limpo e o Clima, firmada por EUA, Austrália, Japão, China, Coréia do Sul e Índia, também contará com oito grupos de trabalho para o desenvolvimento de projetos de energia limpa.
Desses grupos devem participar representantes da indústria e do comércio.
Juntos, os seis países respondem por metade dos gases do efeito estufa produzidos pelo mundo a partir da queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. O encontro realizado por eles em Sydney é o primeiro da parceria criada recentemente.
O ministro das Relações Exteriores australiano, Alexander Downer, disse à Reuters em uma entrevista concedida na quarta-feira que seu país e os EUA anunciariam uma contribuição financeira para dar início às atividades do fundo. Os demais participantes da parceria também se comprometeriam a contribuir.
"O setor privado e os governos devem se sentar juntos a fim de buscar soluções para alguns desses problemas", afirmou Downer.
Grupos ambientalistas disseram que os dois dias de negociação em Sydney são na verdade um esforço desses países de subverter o Protocolo de Kyoto, que os EUA e a Austrália não assinaram porque, segundo argumentam, os cortes obrigatórios nos níveis de emissão de gases do efeito estufa seriam prejudiciais a suas economias.
Segundo os ambientalistas, se não houver metas de emissão a serem cumpridas, algo que o pacto de Sydney não prevê, os esforços de combate às mudanças climáticas fracassarão.
Na quarta-feira, houve manifestações na frente do local em que se realiza a conferência entre os seis países.
"Falar não custa nada e o preço da omissão é alto", disse Catherine Fitzpatrick, porta-voz do grupo Greenpeace. "As impressões digitais, sujas e negras, da indústria do carvão podem ser vistas em todos os lugares desse pacto."
Cerca de 80 executivos de empresas de mineração e de geração de energia, entre as quais a BHP Billiton, a Exxon Mobil e a Rio Tinto, participaram das negociações na quarta-feira.
Os seis países consignatários não revelaram quanto de dinheiro estaria disponível para custear o desenvolvimento de fontes limpas de energia. A Austrália deve contribuir com 75 milhões de dólares.


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