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Roberto Rodrigues: Biodiesel na Amazônia

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domingo, 06 janeiro 2008 . Folha de S. Paulo   
Revista BiodieselBR
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Desde os anos 1980, existem estudos na área do governo visando a produção do biodiesel como aditivo ou substituto do óleo diesel. Também são antigas as experiências privadas no mesmo setor. Mas foi o atual governo que realmente assumiu o compromisso com esse produto, dentro da percepção de que a agroenergia representa um novo paradigma agrícola para o mundo, com potencial de mudar a geopolítica planetária.

Há grandes diferenças entre o álcool e o biodiesel. Boa parte dessas diferenças se deve à enorme quantidade de matérias-primas para o biodiesel: desde sebo bovino e outros resíduos orgânicos até as fontes mais conhecidas, de origem agrícola, que também podem ser divididas em grãos e palmáceas. Entre os grãos, estão a soja, a mamona, o girassol, o pinhão-manso, o amendoim, o algodão, o nabo forrageiro e diversos outros.

E o biodiesel gerado por cada uma tem diferentes características, dificultando a padronização. Entre as palmáceas, a grande vedete hoje é o dendê -ou óleo da palma- e há espaços para outras no futuro, como é o caso da macaúba.

Os grãos chegam a produzir até mil quilos de óleo por hectare, e o dendê produz seis vezes mais. O problema é que o dendê demora quatro anos para começar a produzir, e os grãos são anuais.

Mas é evidente que, uma vez em produção, o dendê tem vantagens comparativas espetaculares, até porque o custo de implantação da planta só se dá uma vez, ao contrário dos grãos, semeado todos os anos.

Mais ainda: com tal diferença, o dendê demandaria um quarto da terra destinada aos grãos. E com duas vantagens: pode ser cultivado por pequenos produtores, como os da agricultura familiar, e se constitui em excelente alternativa para recuperação de áreas degradadas da região amazônica.

Essa planta, com habitat em regiões de clima equatorial chuvoso, teve sua variedade comercial mais conhecida -a Elaeis guineenses- desenvolvida nas estações experimentais francesas da Costa do Marfim e, quando a Embrapa, em 1980, criou seu Centro de Pesquisas na Amazônia, foi trazida ao Brasil. De lá para cá, os excelentes técnicos da Embrapa passaram a buscar espécies nativas da região amazônica, criando assim um banco de germoplana, do que se originaram cruzamentos com a variedade africana, resultando em variedades híbridas superiores, resistentes até a doenças sérias, como o "amarelamento fatal".

Tem sido discutida a possibilidade de reflorestar áreas degradadas da região, seja de floresta cortada, seja de pastagens abandonadas, com palmáceas como o dendê, nativas ou exóticas.
Surgiu então uma reação de setores afins, contra o uso das variedades híbridas, sob a alegação de que tal recomposição se trata de passivo ambiental e que obrigatoriamente essas áreas devem ser reconstituídas com variedades nativas originais, não importando o resultado econômico da atividade. Nesse caso, os híbridos são considerados exóticos. E o plantador teria que se submeter a essa regra, mesmo com prejuízo.

O assunto está no Congresso Nacional, ora em vias de apreciar o projeto de lei nº 6.424/05, que definirá a questão.

Mas tal definição deve encarar o "casamento" eco-eco, isto é, cuidar da ecologia com visão econômica, como forma de dar sustentabilidade ao povo da região. Afinal, há maior maravilha híbrida e totalmente nacional do que nossas mulatas e mulatos?

ROBERTO RODRIGUES, 65, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (Fundação Getulio Vargas), presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura. Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.

Revista BiodieselBR
Comentarios (4)add comment

Telmo Heinen :

Ele foi esquecido...
Infeliz esquecimento pelo Ministro. Ele foi esquecido. Ele(s) iniciou(aram) tudo naquele tempo dos anos 70 a 80

Breve história:
Em 1979, publicou no Boletim informativo do INT (de circulação internacional) e na revista ENERGIA o Trabalho: “DIAGNÓSTICO DA VIABILIDADE TÉCNICA DE UTILIZAÇÃO DOS ÓLEOS VEGETAIS BRASILEIROS COMO COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES".

Em 1981, apresentou no VI Simpósio Anual da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, trabalho de sua autoria: "Emprego dos óleos vegetais não modificados em substituição ao Óleo Diesel".

Em 1982, elaborou o Relatório Final(INT/FTI): " Estudo de óleos vegetais como substitutos de derivados de petróleo". para o FUNAT(Fundo Nacional de Amparo à Tecnologia do Ministério da Indústria e do Comércio)

Após os trabalhos, realizados em 1978, em 1979, foram intensificados os estudos sob sua responsabilidade, no INT, com o objetivo de constatar o que foi pesquisado sobre óleos e gorduras, animais e vegetais, desde o final do século 19 até o final do século 20.

Foram feitas exaustivas determinações em laboratório de combustíveis e lubrificantes do INT e em motores de bancada, no Centro Tecnológico Aeroespacial -CTA, comparando os óleos vegetais com o óleo diesel.

LANÇAMENTO DO DENDIESEL

No dia 24 de novembro de 1984 (20 anos) Foi lançado o projeto com festividade promovida pela CEPLAC e com grande repercussão nacional (Jornais, TVs, Rádios, etc.).

No almoço oferecido a diversas personalidades de renome, O secretário geral da CEPLAC, comprometeu-se de público , alocar os recursos complementares necessários para o projeto.

Olha que esse Collor ainda vai ser lembrado muito algum dia...
Em 1991 o presidente Fernando Collor, lançou oficialmente o PROJETO DENDIESEL-outra versão do BIODIESEL, HERNANI fOI DEMITIDO(com estabilidade) e em 1992 Fernando Collor foi distituido por Impeachment.

Criou o Núcleo de Energias Renováveis e Oleoquímica, até 03/1998.

Mas aconteceu de novo em 1998.....Vou contar mais tarde, na próxima atualização....

4ª fase. Foi lançado no último mes do governo FHC, o Programa Nacional Do BIODIESEL. Implementado pelo presidente LULA.

Hernani de Sá, homem ao qual falta reconhecimento pelo trabalho já feito! (Lembrando que não é só na Amazônia que tem dendê... na Bahia também tem muito e podria ter muito mais...)



 
6.01.2008 - 17:58
Votos: +0

Gilson Leite de Moura :

...
Energia é tudo no mundo de hoje. Há 20 anos li um trabalho muito animador e otimista sobre a possibilidade do dendê na amazônia. Já pensaram se ao invés da pata do boi tivessem plantado essa palmeira milagrosa? Precisamos deixar de papo e começar, tem muito gringo de olho. Dendê trás mais autonomia a região amazônica que precisa deixar de comprar combustível. Só tenho medo é dos burocratas da ANP, da PETROBRAS, do próprio governo, e dos políticos que nós elegemos, estragarem tudo. Oleo de DENDÊ pra queimar e produzir progresso não precisa ser BENTO por nenhum desses aí. O governo precisa dar o técnico e o incentivo. De camisa de força já estamos cheios.
 
8.01.2008 - 13:05
Votos: +0

Lincoln Correia :

ecochatos
Quando se tem alguma alternativa para as áreas degradadas,isto é,não estão produzindo nada, pois o solo não tem nenhuma fertilidade,ficam discutindo se a espécie é exótica e a terra fica abandonada e será invadida.Além disso deixa de produzir e gerar trabalho e renda.Eles se julgam mais brasileiros que os que querem trabalhar e produzir.
 
8.01.2008 - 18:11
Votos: +0

Hernani Lopes de Sá Filho :

Primeiro projeto de biodiesel-1976, primeiro posto
Além de iniciar em 1976 , defendi todos os dias todos os anos, os óleos e gorduras animais e vegetais como capazes de substituir o PETRÓLEO.
Teve diversos nomes: INTOL, DENDIESEL e atualmente BIODIESEL E BIOQUEROSENE.
Mais informações estou à disposição.

Atenciosamente,
Hernani de Sá
 
9.11.2008 - 08:31
Votos: +1

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