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Entrevista: Muito além da soja e da mamona

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sexta, 07 dezembro 2007 . Agência FAPESP   
Revista BiodieselBR
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O diesel brasileiro deverá ter 2% de biodiesel a partir do ano que vem, proporção que deverá aumentar para 5% em 2012. Mas a baixa produtividade por hectare de soja e a baixa produtividade energética poderão ser ameaças importantes à sustentabilidade tanto da meta do governo federal como do próprio programa de biodiesel no Brasil, segundo o engenheiro Luiz Augusto Horta Nogueira, professor titular da Universidade Federal de Itajubá e consultor da Organização das Nações Unidas.

Para ele, o programa desejável de biodiesel no país não passa pela soja ou pela mamona, como apontam muitos entusiastas. “O biodiesel é uma alternativa em desenvolvimento, no qual as matérias-primas não apresentam vantagem”, afirmou em entrevista à Agência FAPESP, no Rio de Janeiro.

Nogueira participou do simpósio Energia no Brasil, uma das atividades do encontro Avanços e perspectivas da Ciência no Brasil, América Latina e Caribe, promovido na sede da Academia Brasileira de Ciências e que termina nesta sexta-feira (7/12).

Agência FAPESP – Há um grande entusiasmo em relação ao uso do biodiesel no Brasil. A meta do governo federal é que até 2012 o diesel brasileiro tenha 5% de biodiesel. Isso será possível?
Luiz Augusto Horta Nogueira – Acho que, infelizmente, não. O biodiesel é uma alternativa em desenvolvimento, no qual as matérias-primas não apresentam vantagem, uma vez que têm custos elevados na produção. Há uma demanda de recursos naturais alta para produzir unidades energéticas. O biodiesel que temos hoje no Brasil provém em 80% da soja e será uma pena levar adiante um programa de biocombustível usando essa planta. A baixa produtividade por hectare e a baixa produtividade de energia por energia investida são os maiores problemas para a sustentabilidade desse programa. Se fizermos biodiesel de uma palma de dendê, teremos produtividade dez vezes maior do que a da soja e um consumo de energia 3 a 4 vezes mais baixo.

Agência FAPESP – Então, uma vez que existem outras alternativas, o programa de biodiesel não deve ser totalmente descartado?
Nogueira – O programa que propõe o uso do sebo e do óleo de dendê é promissor. O problema é que 80% do programa existente é em cima da soja, cuja colheita pode ser boa, mas a produtividade é baixa. O programa desejável de biodiesel no Brasil certamente não passa pela soja ou pela mamona. As palmeiras representam boa alternativa: têm baixo consumo por unidade de energia produzida e cultivo perene. Já a soja tem cultivo anual. Existe uma gama de palmáceas que seriam boas alternativas.

Agência FAPESP – As perspectivas são boas em relação ao etanol?
Nogueira – A indústria do etanol é mais madura e apresenta índices excelentes de desempenho. O etanol tem uma historia mais consistente. Ele é usado há mais de 80 anos no Brasil. O uso obrigatório de álcool misturado na gasolina vem desde 1931. Certamente, é a alternativa mais viável em todos os sentidos.

Por Washington Castilhos
Revista BiodieselBR
Comentarios (3)add comment

Telmo Heinen disse:

  A máxima de que o melhor jeito para adquirir óleos vegetais, seja para biodiesel ou não, continua sendo o estudo do CEPEA em 2006:

"Tomar os preços no Mercado" Você entende isso ? Então raciocine, neste caso há alguma necessidade de envolver-se com a matéria-prima?

A melhor saída é fazer um "concorrência" (licitação) e adquirir a melhor qualidade pelo menor prêço... simples assim.

É uma tolice a discussão que se estabelece fora deste raciocínio, gerando equívocos, opiniões falsas etc....
1

7.12.2007 - 11:06

Ananias Baracuhy disse:

  Esta opinião do Dr.Augusto não é novidade entre os internautas deste Site.Se falou muito que se tem que expandir outras oleoginosas,se falou que as palmáceas são plantas de grande potencial energético e etc...A soja está nessa pelo fato de ter uma estrutura produtiva gigante,já está há mais de 30 anos sendo cultivada entre nós e portanto,tem condições de fornecer óleo até enquanto chega os óleos de plantas com maior vocação para produzirem óleo,como é o caso do dendê,pinhão manso,girassol,canola,amendoim,babaçú..e etc...
Quanto a Mamona,já se falou em erro estratégico do programa em focar ela como planta promissora para biodiesel,ela é e será promissora para óleos lubrificantes, cosméticos,e etc...
2

7.12.2007 - 11:15

ricardo fonsêca disse:

  O Brasil tem diversas alterantivas para produzir o óleo vegetal para Biodiesel, entretanto, o que está valendo para as empresas do ramo é seu custo/ benefício, por exemplo, sabe-se que o babaçu é uma excelente opção para o óleo, mas aqui no Maranhão ele está sendo usado e estimulado para produção de carvão p/ siderúrgicas de Açailândia que queima o coco junto com amêndoa e paga-se bem ao tirador do coco.
Para deixar de destinar para carvão e passar a comprar a amêndoa para o óleo cadê a máquina, o preço tem que ser melhor do que o da siderúrgica, etc.
O que eu acho como técnico de uma empresa de Biodiesel´são as definições do Governo Federal no que ele realmente quer, pois sabemos que o Governo está mais perdido que cego em tiroteio, nem o MDA fiscaliza as emissões de DAP,onde está existindo muita falsificação, Maranhão é um bom exemplo, a ANP não definiiu a as formas de compra que hoje se resume a Petrobrás, quer disser, estão preocupados com mamona ou soja ou qualquer outra , sem contudo se preocupar com definições que ajudaria outros pontos dentro da cadeia produtiva e assim vai o trenzinho do Biodiesel.
3

11.12.2007 - 17:04

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