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Expedito Parente: potencial do biodiesel

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domingo, 12 agosto 2007 . Expedito Parente - Diário do Nordeste   
Revista BiodieselBR
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Nordeste brasileiro é uma região semi-árida, de difícil convivência. E nessa região a motivação do biodiesel é o combate à miséria. Tem que se resolver o problema da fome. A miséria no Nordeste pode ser combatida ofertando-se ocupação e renda no campo. E as culturas que poderão realmente ser importantes para a região deverão ser as culturas xerófilas, que podem ser cultivadas em regime de baixa pluviosidade.

Entre as culturas energéticas mais conhecidas, destacam-se a mamona e o pinhão manso. Então, o Nordeste no qual o Ceará se insere, poderá ser um produtor importante de biodiesel. Poderá resolver seus problemas sociais e até ser auto-suficiente em biodiesel.

No entanto jamais terá um potencial de produção, sejamos realistas, como a região amazônica, dentro de uma configuração de floresta energética plantada de forma equilibrada.

O Brasil é um país de dimensões continentais com plenas vocações para a biomassa. E vocações diversificadas. O Programa Brasileiro de Biocombustíveis tende a ser um programa regionalizado. Cada região tem suas motivações para a produção de biodiesel e suas vocações agrícolas. Vocações de matérias-primas.

No Norte do Brasil, as vocações incidem sobre as culturas permanentes, especialmente as palmeiras, que têm um ciclo de vida produtiva de 50 anos.

E algumas dessas palmeiras têm uma produtividade muito grande. O dendê, por exemplo, chega a produzir 5 mil quilos - até supera essa marca - de óleo por hectare/ano. Existem outras espécies nativas na Amazônia que são potencialmente produtoras de óleos e consequentemente de biodiesel. Talvez até em níveis superiores ao do dendê, se domesticadas. A região amazônica tem disponível florestas que foram desmatadas, que estão em degradação, em condições de produzir biodiesel para abastecer toda a Europa. E a calha do rio Amazonas é a estrada natural para o escoamento. Não existe no mundo um lugar que tenha um potencial tão grande quanto a região amazônica, nessa área que foi desflorestada onde pode ser implantada uma floresta energética. Então esse deverá ser o futuro celeiro da produção de biodiesel no mundo. E nessa região se inserem os estados de maior produção do País. O Amazonas, o Pará e os estados circunvizinhos.

Já em outras regiões do Brasil, como o Sul, o Centro-Sul e o Centro-Oeste, existem áreas, em alguns estados, que são extremamente importantes na produção de biodiesel, no entanto com culturas anuais. Eu citaria a soja, o girassol, o amendoim e outras culturas anuais.

Nessas regiões, a vocação são essas culturas trabalhadas de forma mecanizada e existem áreas extremamente produtivas inclusive com produtividades bem maiores que as que poderiam ser obtidas no Nordeste semi-árido.

O Ceará como integrante do Nordeste, será um produtor de biodiesel exatamente na medida da solução de seu problema social. Mas temos que ser realistas. Nós jamais poderemos nos comparar, em termos de produtividade, com o celeiro mundial que é a Amazônia e que tem maiores condições potenciais que o Nordeste. O Ceará poderá ser sim, um produtor de biodiesel na medida certa de suas motivações, com a inclusão social como solução para o problema da miséria e sua auto-suficiência em biodiesel. Essa visão realista sugere que culturas alimentícias como o feijão, a mandioca, o milho e o arroz, sejam também incentivadas para a formação de uma cesta agrícola para as necessidades da população.

Certa vez, perguntado sobre a potencialidade do Ceará na produção de biodiesel, defendi a proposta de que o estado deverá dimensionar a sua produção agrícola para fins energéticos, na dimensão de suas necessidades internas e na eliminação da miséria no campo.

Não obstante, não devemos esquecer a importância das culturas tradicionais de subsistência.

Expedito Parente é engenheiro químico, detentor da primeira patente mundial de biodiesel

Revista BiodieselBR
Comentarios (8)add comment

Ananias Baracuhy disse:

  Concordo com o Dr.Parente,acho que ele colocou muito bem a questão de bioenégia no nordeste.O programa de bioenégia é sem dúvida uma redenção para a região e principalmente do semi-árido e não se pode perder de vista as culturas de subexistência pois temos uma população muito grande mas é verdade que existe espaços muitos grandes para se desenvolver culturas de oleoginosas e mais,pode-se desenvolver de forma consorciada com plantas tradicionais como o feijão macassar,mandioca,milho,plantas hortículas etc...Alavancar o campo para tirar o camponês nordestino do estado de miséria é fundamental mas nosso potencial é grande porém nada comparável ao da amazônia.
Já a amazônia é outro contexto,a região tem mais de 4,5 milhões de km2,tem baixissima densidade demográfica e já tem plantas com altas aptidões oleíferas e de alta produção/ha. podendo ainda se melhorar com trabalhos técnicos.O dendê é uma planta altamente produtiva e ainda tem mais outras palmaceas que poderão compor esta imensa potencialidade e tudo isso pode ser feito sem agredir a floresta.Me dá uma sensação de gigante se afimar que a região poderá abastecer de biodiesel toda a Europa e ainda oferece o rio para escoar.Não é a toa que os olhos da cobiça internacional sempre estiveram voltados para lá.Há um mês atrás, vi um ecologista estudioso da amazônia fazer um comentário que dizia que o Rei de Portugal já enchergava o gigantismo daquela região,não exitou em trocar o que hoje é o Uruguai e seu domínio nas Filipinas para termos a amazônia no tamanho que ela é hoje mais o Acre que foi posterior.
Ainda ontem eu estva fazendo um comentário sobre a disposição do Governador Braga que está aspirando fazer parte do programa do etanol no estado do Amazônas.Fiz um comentário contra porque entendo que cana-de-açucar não é planta adequada para aquele clima e quem tem dendê numa mata daquela precisa mais de que???
1

12.08.2007 - 14:41

Telmo Heinen - Formosa, Goiás disse:

  Bioenégia, oleoginosas, caro Ananias, já fiz a conta:
308 milhões de hectares de dendê são suficientes para substituir os 85 milhòes de barrís diários de petróleo que o mundo consome atualmente.
Você diz que só na amazônia são 450 milhões de hectares... nem precisa tanto pois terá o álcool em outros lugares.

É "bioenégia" com sobra...

2

12.08.2007 - 19:54

SILVA FILHO disse:

  Conheco a Amazônia Legal e conheço o dendê, por essa razão concordo com o professor Expedito Parente, de que num futuro próximo (10 anos ?) o Norte do Brasil estará "bombando" em produção de biodiesel ! Conheço também o Nordeste, o semi-árido, e conheço muito bem a mamona, e, é nela que continuo apostando todas as minhas fichas ! Tenho um palpite que o pinhão manso também vai revolucionar ! Acredito
nas pesquisas e nos nossos cientistas que estudam, agora com mais recursos e incentivos, novas cultivares
tanto da mamona como do algodão e melhoramento genético da pinhão manso ! Considero-me um empreende-
dor social desejoso de ver gente feliz, prosperando como é de direito e colaborando dentro de meus limites,
para ver essa gente, cada vez mais, animada e esperançosa por dias melhores ! Diz-se que cada um faz sua
história no lugar que está, e com isso contribui para tornar a humanidade mais solidária e iluminada ! Imaginem
essa filosofia em se tratando do Nordeste ? É bom ver nossos conterrâneos alegres e otimistas ! Idealizando
seus sonhos, vendo um futuro brilhante para seus filhos, tudo isso é maravilhoso e factível ! Esse bendito
biodiesel trará grandes alegrias para os pequenos produtores rurais do Brasil, e o Nordeste será, seguramente, o maior beneficiado ! E não demorará muito ! Acredito em políticas públicas que visam favorecer
classes mais sofridas, e, é o que estamos vendo concretamente, nas atitudes do Governo Federal !
3

12.08.2007 - 23:50

Fernando Chaves Lins disse:

  Tem toda a razão o inventor do biodiesel. O Nordeste tem vez desde que utilize as culturas xerófilas que a natureza ofereceu. Há muito tempo um cientista nordestino, Guimarães Duque (de convivência, pois era mineiro), escreveu O Nordeste e as Plantas Xerólifas e Solo e Água no Polígono das Secas com recomendações para a exploração das plantas xerófilas: caju, algodão mocó, pinhão manso, maniçoba,palma,oiticica,umbu,favela,licuri, etc. Dizia ele com muita sabedoria: "Os agrônomos e os especialistas, para serem bem sucedidos na forma de lavoura que não olha para o céu nem se apoia na água dirigida, carecem de ter fé em si mesmos e nas suas ciências, de reconhecerem que lhes coube uma missão importante no quadro regional e de munirem-se da paciência beneditina para obtenção dos meios de trabalho e realizarem, conjuntamente, a tarefa. Ciência. Cultura. Ética". Já temos o exemplo da agroindústria do caju e a riqueza que o algodão deu ao Nordeste como o rumo a seguir. O biodiesel pode ser o roteiro para isso.
4

13.08.2007 - 10:56

Inalva disse:

  Ninguém melhor do que o Dr. Expedito Parente para falar acerca desse assunto. Verdadeiramente é necessário que o biodiesel seja encarado com diferentes motivações visto que cada região tem a sua realidade e eu creio que para o nordeste isso vai ser muito bom e só tem a acrescentar benefícios a esse povo batalhador que aprendeu a conviver com a dura realidade da vida.
5

13.08.2007 - 11:07

MILTON PARENTE disse:

  Estou tentando entrar em contato com voce, favor mandar seu telefone um forte abraço de seu primo MILTON PARENTE (Rio de Janeiro)
6

23.08.2007 - 00:02

Carlos Alves de Souza disse:

  SILVA FILHO

Não acredita na mamona, pinhão manso e algodão, sua viabilidade econômica é duvidosa.
Cuidado com os enganadores de plantão, que tudo sabem, mas não provam e nem explicam nada.
No entanto fazem um barulho sem fundamentos consistentes.
Carlos Alves de Souza
logset@sti.com.br
7

3.10.2007 - 23:29

Ananias Baracuhy disse:

  Meu caro Carlos Alves de Souza não concordo com sua observação em relação o que o Sr.Silva Filho escreveu.
Eu digo daqui: Cuidado com os contestadores que não argumentam.Ao contestador,o ônus da sua convicção,do seu conhecimento...
Porque a sua descrença sobre as propriedades oleíferas do pinhão manso? do algodão? da mamona?
O Pinhão manso tem produtividade entre 5 a 7 ton./ha. e tem 40% de óleo em suas sementes....
O Algodão é uma planta que o óleo é subproduto uma vez que o motivo de seu cultivo é a pluma...
A mamona,sim,esta precisa dar mais comentário.Já existe variedades mais produtivas,entre 2500 e 3000 kg./ha.Seu óleo é nobre e muito viscoso,usá-lo para queimar em tanques de veículos,significa desperdício,seu destino deverá ser para usos lubrificantes,terá seu valor triplicado e para isso a Petrobras e a Tecbio já têm instalações em Fortaleza trabalhando para termos o óleo lubrificante de mamona....atualmente a indústria química já paga preço mais alto do que para fins energéticos.
Eu entendo contestação vendo argumentações baseadas e procedentes...
8

4.10.2007 - 17:31

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