Venda a termo para crédito de carbono

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) confirmou que pretende lançar, entre novembro e dezembro, um sistema de negociação de créditos de carbono para atender a empresas e instituições do Brasil e da América Latina. O sistema terá venda de contratos de opção a termo e vendas no mercado à vista, por meio de leilões eletrônicos. Guilherme Fagundes, chefe do departamento de projetos especiais da bolsa, disse que a data do lançamento depende da regulamentação, pelo governo, da carga tributária sobre o comércio de créditos de carbono, hoje inexistente.

Em agosto, a BM&F e a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) disponibilizarão nos seus sites um banco de dados com informações sobre os projetos de créditos de carbono já aprovados pelo governo e os projetos em estudo, além de uma lista de instituições interessadas em comprar os créditos.

Segundo dados do Banco Mundial citados pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, os países desenvolvidos emitem por ano 13,7 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera por ano, e no Protocolo de Kyoto, os países se comprometeram a reduzir as suas emissões em 5,2% por ano entre 2008 e 2012, o que significará uma redução anual de 714 milhões de toneladas de carbono. Os países que não conseguirem cumprir a meta poderão comprar créditos de outros países. Hoje, o valor estimado por tonelada de seqüestro de carbono é de US$ 5,63 por tonelada, o que representa um mercado potencial de US$ 4 bilhões/ano.

O Bird estima que o Brasil teria 10% de participação deste mercado, ou US$ 400 milhões por ano. "O agronegócio tem um potencial de venda de crédito de carbono de US$ 160 milhões por ano, que não é um número desprezível", afirmou Rodrigues. Ele apontou como potenciais para venda de créditos de carbono projetos nas áreas de biodiesel, etanol, agricultura florestal e plantio direto.

Segundo Fagundes, da BM&F, ainda não é possível precisar que mercado a bolsa irá alcançar com os contratos, mas já há notícias de negociações de créditos de carbono no Brasil no mercado de balcão. O Banco ABN AMRO Real informou em junho que começou a negociar créditos e antecipou a uma empresa de aterro sanitário US$ 1 milhão por conta de venda desses créditos no exterior. Em maio, o Japan Bank For International Cooperation (JBIC) informou ter interesse em financiar projetos no Brasil.

Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pelo registro dos programas de seqüestro de crédito de carbono no país, há cinco projetos aprovados, todos com redução de emissão de gases em aterros sanitários. No agronegócio, há dois projetos em estudo - um da Sadia e outro da produtora de suínos Granja Becker, de Patos de Minas (MG), para reduzir a emissão de metano pelo esterco de animais. Quatro usinas de cana-de-açúcar também se preparam para enviar projetos ao governo.