Bolsa do Rio vai negociar créditos de carbono |
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| quinta, 17 fevereiro 2005 . Reuters | |
Em destaqueO objetivo do novo sistema da BM&F é disponibilizar crédito para projetos de desenvolvimento limpo, que mais tarde poderão ser utilizados por governos e empresas para compensar suas dívidas ambientais, dentro do plano mundial de combate ao aquecimento da Terra, previsto no Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor nesta quarta-feira. O comércio de carbono no mundo deve movimentar 5 bilhões de dólares por ano. Hoje, o crédito de carbono já é negociado bilateralmente entre empresas, pelo Banco Mundial, e de forma organizada na Chicago Climate Exchange (CCX) e no European Union Emission Trading Scheme (EUETS). O primeiro passo para a formação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), segundo um dos seus organizadores, será um banco de dados para disponibilizar os potenciais projetos pela Internet a possíveis investidores. "A idéia é antecipar recursos para reduzir os custos de implantação dos projetos, já que leva muito tempo para a validação desses projetos pela ONU (Organização das Nações Unidas) e custa muito caro", explicou o chefe do Departamento de Projetos e Pesquisas da BM&F, Guilherme Fagundes. Os principais beneficiados com a criação desse mercado são as empresas com projetos que de alguma forma reduzem emissões de poluentes --como aterros sanitários, biodiesel, etanol, reflorestamento, entre outros-- uma vez que elas poderão realizar parcerias com investidores, reduzindo o custo destes projetos. O risco da iniciativa ir adiante ou não estará embutido no preço da negociação, explicou Fagundes. Para minimizar o risco, a BM&F credenciará entidades de pesquisa e consultorias para selecionar os projetos. "Não será aceito qualquer projeto, e mesmo assim, os validados pela ONU têm risco de não reduzir emissões", observou. Ele explicou que a validação de um projeto pela ONU, ou seja, reconhecimento dos créditos de carbono para compensar emissões, pode levar de dois a quatro anos, período em que os projetos brasileiros poderão ter os recursos antecipados para saírem do papel. "O sistema vai aumentar a credibilidade e transformar o carbono em um ativo financeiro", explicou, prevendo que assim como hoje ocorre com as negociações de commodities agrícolas negociadas pela BM&F, as liquidações dos negócios poderão ser feitas fora do país, já que a maioria dos investidores deve ser estrangeira. PROJETOS NA FILA Na prancheta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, parceiro da BM&F, pelo menos dois projetos já poderiam ser negociados no sistema eletrônico que será criado ao longo do segundo semestre de 2005. Na Bahia, a empresa Veja Bahia Tratamento de Resíduos S.A. prevê reduzir emissões até 2019, da ordem de 13.958.154 toneladas de gás carbônico equivalente, enquanto no Rio, a NovaGerar EcoEnergia Ltda. promete redução de emissões em 21 anos de 14.072 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente. "Muitos projetos de co-geração de energia também devem entrar na lista", prevê Fagundes. Na corrida pelos créditos de carbono, o secretário de Energia Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, já encomendou estudo para medir a redução de emissões decorrente do programa de gás veicular, incentivado pelo Governo do Estado desde 1999, para conseguir certificados de resgate de carbono que poderão ser negociados no mercado internacional. Segundo Victer, os carros movidos a gás veicular poluem 60 por cento menos do que os carros a gasolina, o que compensaria a emissão por indústrias do Estado. "Estamos fazendo contato com empresas do Rio para que também busquem o certificado, para que façam credenciamento nas entidades autorizadas e transformem o Rio na capital do crédito de carbono", afirmou. O secretário acredita que o Brasil pode ficar com boa parte dos recursos que serão negociados no mundo. O pacto de Kyoto, firmado por 141 países, prevê que países desenvolvidos reduzam, entre 2008 e 2012, as emissões dos gases do efeito estufa, entre eles o carbono, em 5,2 por cento dos níveis registrados em 1990. Victer vê grande potencial para combustíveis alternativos e reflorestamentos, que podem tornar o Brasil uma fonte de geração de créditos de carbono para mundo, apesar do país ser considerado um grande poluidor devido às queimadas florestais. Saiba mais sobre crédito de carbono ![]() Comentarios (0)
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