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Biodiesel

Volta da glicerina viabilizará o biodiesel


Jornal Cana - Edição nº 139 - Renato Anselmi - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Apesar de estar tecnologicamente bem resolvido, o processo de produção de álcool no Brasil - considerado modelo - se adapta aos novos tempos. Acompanha a corrida científica, tecnológica e mercadológica por combustíveis limpos e renováveis e pelo melhor aproveitamento dos recursos, naturais ou gerados no processo. Diversas novidades, para a fabricação de etanol, estão relacionadas inclusive com as descobertas nessas áreas.

"A volta da glicerina, na desidratação do anidro, viabilizará o biodiesel", afirma Sidnes Marques, gerente industrial da Usina Alvorada, de Araporã, MG. Quem diria: esse "velho" desidratante, substituído pelo benzeno, que deu lugar ao ciclohexano, etileno glicóis e a peneira molecular, tornar-se novamente a coqueluche das destilarias?

Sidnes tem um argumento economicamente sólido para justificar o retorno do sistema. "O uso desse desidratante vai 'fechar' a questão de custo do biodiesel, que gera 10% de glicerina no processo. Com o excesso desse produto do mercado, após a intensificação da fabricação do biodiesel, fica um 'buraco' na questão financeira", avalia.

{sidebar id=1} Segundo ele, sem uma utilização adequada, a glicerina poderia gerar gastos extras para que tenha uma destinação apropriada, o que inviabilizaria a produção do novo combustível. O seu aproveitamento na destilaria, no entanto, além de evitar despesas extras, proporciona economia com a implantação de outros sistemas de desidratação. "O custo do biodiesel fica resolvido", comemora. Para o gerente industrial da Alvorada, não existem grandes problemas na aplicação desse processo de desidratação.

"As destilarias já dominam a tecnologia, que é bastante conhecida. A recuperação da glicerina deve ocorrer por evaporação", explica. A usina de Araporã, que usa o ciclohexano, já planeja a mudança de sistema. E isto vai acontecer assim que começar a fabricação de biodiesel. "Pretendemos produzi-lo em 2007 ou 2008. Estamos definindo parceria com fornecedor de óleo da região", informa.

A proximidade de uma empresa produtora, o que evita o aumento do custo com frete, é outro fator considerado relevante para tornar o biodiesel economicamente vantajoso. "Em algumas regiões, existe essa dificuldade. No Nordeste, o preço elevado do óleo de mamona é outro problema", analisa. O "casamento" tecnológico entre o álcool e o novo combustível deve dar origem a muitos "filhos".

Um deles, já foi gerado, e atende pelo nome de rota etílica para a produção de biodiesel. É fruto da parceria entre a brasileira Dedini Indústrias de Base - com mais de 80 de existência - e a italiana Ballestra. Este processo contínuo, que aproveita a própria infra-estrutura da usina, é uma alternativa para otimização de custos pois apresenta menor consumo de energia e utilidades.

Além de acompanhar toda a implantação dessa tecnologia, a Dedini fornece os equipamentos para a montagem da planta, que deverá funcionar, na maioria dos casos, em anexo à destilaria. O sistema, que armazena a oleaginosa, extrai o óleo e posteriormente o biodiesel, tem capacidade para a produção de 10, 20, 40, 60. 80 ou 100 mil toneladas do novo combustível por ano. A utilização dessa tecnologia aproveita parcialmente a estrutura existente, como matéria-prima, equipamentos, logística, setor de comercialização, etc.

A integração começa no plantio com a rotação entre a cana e uma oleaginosa, como soja ou amendoim. A produção de biodiesel utiliza, também, o álcool - para uma tonelada há necessidade de 130 litros de etanol - e ainda pode reduzir custos com o abastecimento da frota da usina. O biodiesel pode ser usado em máquinas e caminhões.