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Biodiesel

Via Campesina vai produzir biodiesel no Rio Grande do Sul


Brasil de Fato - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Pequenos agricultores e assentados da reforma agrária deram mais um passo para concretizar a instalação de um projeto de produção de biodiesel do governo federal na região noroeste do Rio Grande do Sul. Dia 30 de setembro, em Palmeira das Missões, foi realizado o 2º Seminário sobre Produção de Biodiesel. O evento, organizado pela Via Campesina, contou com a participação de mais de 700 pessoas e com as presenças de empresas estatais, ministérios e universidades.

A Via Campesina está em fase de criação de uma cooperativa de produção de biodiesel (Cooperbio) e organiza os agricultores das regiões sul e noroeste do Estado para a produção de oleaginosas. Cerca de 15 mil famílias de pequenos agricultores serão beneficiadas em 21 municípios. O biodisel - proveniente do aproveitamento das oleaginosas, entre elas a soja, o girassol, a mamona etc. - pode ser usado não só para mover motores e máquinas, mas também para a geração de energia elétrica. Já os resíduos do esmagamento das oleaginosas servem como ração animal e adubo para a lavoura.

Para José Carlos Miragaya, gerente de energia renovável da Petrobras, há possibildade de a região receber um dos projetos, mas para isso terá de demonstrar capacidade de produzir. "Tanto no noroeste quanto no sul do Rio Grande do Sul, existe demanda, potencial de produção e boa estrutura logística. A Petrobras trabalha com esses parâmetros para definir a localização de uma planta de biodiesel da empresa", afirma.

A intenção da Via Campesina é que os agricultores participem de toda a cadeia da produção, e não apenas vendam as sementes para grandes usinas. "Queremos que cada agricultor seja sócio da refinaria e participe do lucro final, ao contrário do que acontece na cadeia do fumo, em que o agricultor só participa com o sacrifício", afirma o deputado estadual frei Sérgio Görgen (PT-RS). Para Romário Rossetto, da direção nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e presidente da Cooperbio, a produção de energia deve ficar nas mãos dos camponeses. "Não podemos seguir o exemplo do Pró-Álcool, que no princípio era para ser feito por pequenas destilarias. O programa foi desvirtuado e tomado por grandes usinas", diz.

Para Miragaya, da Petrobras, a empresa tem interesse em se associar aos agricultores organizados em cooperativas. "A Petrobras não pretende ser monopólio, vai se associar a diversos parceiros. Um deles pode ser uma cooperativa de agricultores", afirma. No seminário, estiveram presentes representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Banco do Brasil, da CGTEE, da Eletrobrás, da Eletrosul, da Embrapa, da Emater e de universidades, entre outras entidades. "O seminário mostrou a capacidade de articulação da Via Campesina com os pequenos e médios empresários e agricultores com empresas estatais que pela primeira vez estiveram na região com esse objetivo", sustenta Rossetto.