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Biodiesel

Vale do Rio Doce vai utilizar biodiesel na frota de locomotivas


Gazeta Mercantil - Sabrina Lorenzi - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

O prazo do compromisso junto ao governo é em 2008, mas a Companhia Vale do Rio Doce anunciou o início do uso do biodiesel para este ano, numa proporção dez vezes maior do que a estipulada pelo Programa Nacional de Produção e Uso de Biocombustíveis.

Os investimentos de US$ 120 milhões da mineradora em tecnologia de logística incluem a adição de 20% do combustível limpo sobre o total de óleo diesel. A meta do programa federal é inserir 2% do biodisel na mistura de combustíveis em até três anos.

O projeto começa nos trens que transportam carga na Estrada de Ferro Vitória-Minas. Mal começou a aderir à energia limpa, a Vale já estuda produzir o combustível em fazendas no Maranhão e no Pará. Também já desenhou os planos de infra-estrutura para tocar o projeto: Tubarão (ES) e Nova Era (MG) terão pontos de tancagem.

A iniciativa da Vale é preponderante para fazer deslanchar o programa do governo. Sem contar com as ferrovias que opera ou tem participação, a Vale do Rio Doce consome mais de 40% do diesel que abastece todo o sistema ferroviário. A MRS, que também possui capital da mineradora, consome mais 23% do combustível das ferrovias.

Dos 970 milhões de óleo diesel que o setor usa, cerca de 400 milhões são consumidos pela Vale e 228 milhões de litros pela MRS, segundo o diretor do Departamento de Operações de Logística da Vale, Eduardo Bartolomeo, e diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.

A implementação do biodiesel exigirá adaptação dos trens e construção de postos de abastecimento. "O desafio é adequar as máquinas para usar o biodiesel corretamente", afirma Bartolomeo. A empresa testou a adição de biodisel em duas locomotivas, conforme anunciou durante a 8ª Conferência Internacional de Ferrovias de Transporte de Cargas, no Rio Centro.

Na ocasião, a mineradora informou ainda que o maior trem das Américas, com tamanho de 3,2 quilômetros e 39 mil toneladas, começa a rodar no terceiro trimestre de 2006. O segundo maior trem do mundo, com 312 vagões, atenderá a crescente demanda da produção de Carajás, Pará.

O veículo será impulsionado por três locomotivas de sistema de tração. Hoje a produção é de 70 milhões de toneladas de minério de ferro e é transportado por 10 trens. A expectativa da mineradora é aumentar a produção para 100 milhões de toneladas de minério.

"A produção, hoje em torno de 70 milhões de toneladas de minério de ferro, chegará a 100 milhões nos próximos anos. A velocidade do aumento da produtividade exige soluções rápidas e que sirvam de opção à duplicação da malha ferroviária, por exemplo", afirmou o executivo durante da conferência.

De acordo com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o Brasil tem potencial para 30% do transporte de cargas abastecido por ferrovias (hoje é de 24%).