Usinas se preparam para produzir biodiesel
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quarta, 21 setembro 2005
. Revista Agora - Ed. Setembro/05
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Até os anos 70, as usinas brasileiras transformavam a cana em açúcar. Com o advento do Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, surgiram as destilarias anexas e autônomas, para a produção do álcool carburante (hidratado e anidro). Com a crise energética do fim da década de 90, as usinas investiram fortemente na co-geração de energia elétrica.
Agora, as usinas se preparam para dar mais um salto de produção, e começarão a produzir biodiesel, misturando 15% de álcool anidro à óleos vegetais. O setor sucroalcooleiro é o segundo maior consumidor de óleo diesel do país, sendo só superado pela Companhia Vale do Rio Doce.
Anunciado com grande pompa no final do ano passado pelo governo federal, o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel-PNPB, que envolve ações de nada menos do que 14 ministérios, inviabiliza na prática a meta de se produzir 800 milhões de litros de biodiesel até 2008, para se adicionar 2% ao diesel.
Do jeito que está, o programa não se viabiliza porque existem contradições tarifárias e tributárias. “Ou se mudam estes marcos ou simplesmente não teremos a produção na escala como anunciou e como quer o governo federal”, setencia o prof. Miguel Dabdoub, presidente da Câmara Paulista dos Biocombustíveis e coordenador do Projeto BiodieselBrasil.
BRECHAS
Mas, independentemente dos entraves criados pelo próprio governo, o biodiesel começará a ser produzido pelas usinas, por uma razão muito simples, como argumenta o engenheiro Carlos Freitas, da Trace Agro: “Elas pagam hoje R$ 1,55 por litro comprado das distribuidoras, enquanto que o biodiesel produzido por elas custará pouco mais de R$ 1,00. Além do que, o investimento nas plantas de produção, se pagarão em poucos meses”.
Carlos Freitas, ex-executivo da Texaco, operou várias plantas de biodiesel nos Estados Unidos e trouxe de lá a tecnologia que está disponibilizando às usinas brasileiras. “Na relação custo-benefício, as usinas possuem vantagens por usarem sua própria estrutura de laboratórios e produção de vapor. Além do que, a legislação não tributa o biodiesel quando ele é considerado de “uso cativo”, ou seja, para o próprio consumo”.
Freitas também mostra outra oportunidade que se abre aos usineiros, independentemente das mudanças nos marcos tributários e tarifários do biodiesel brasileiro: “Há um mercado extraordinário para a exportação e quando as vendas se destinam ao mercado internacional, também não há tributação”, explica.
Este assunto já foi apresentado e vem sendo discutido em todas as reuniões do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da Sociedade Rural Brasileira, presidido por Maurilio Biagi Filho. Um dos maiores defensores da idéia, além de Biagi, é Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura.
“A nossa cadeia produtiva precisa investir em sinergias e a produção de biodiesel é uma delas. Esta é uma questão simples, pois não faz sentido gastarmos nossas reservas importando diesel e petróleo para produzirmos diesel que é consumido para o plantio, colheita e transporte da cana às nossas unidades industriais”, explica Biagi.
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