Biodiesel

Refinaria de Manguinhos: A volta com biodiesel


Monitor Mercantil Digital - 16 mar 2006 - 18:36 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

A idéia é começar com capacidade para 40 milhões de litros por ano, até chegar a 100 milhões

Com as operações suspensas desde meados do ano passado, a Refinaria de Petróleo de Manguinhos, a mais antiga do Brasil, aposta no biodiesel para voltar ao mercado. A empresa faz parte de uma lista de 34 projetos de novas usinas de biodiesel em elaboração atualmente no país, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Juntos, eles terão capacidade de produção de 970 milhões de litros por ano, praticamente garantindo a oferta necessária para a adição obrigatória de 2% do produto ao diesel comum em 2008.

O gerente da Secretaria de Agricultura Familiar do ministério, Arnoldo de Campos, disse nesta quinta-feira que Manguinhos já pediu autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para iniciar a produção de biodiesel. A idéia é começar com capacidade para 40 milhões de litros por ano, até chegar a 100 milhões de litros. Nenhum executivo da companhia foi encontrado para comentar o assunto, mas fontes próximas confirmam o desenvolvimento do projeto como uma alternativa para que a refinaria não feche definitivamente as portas.


Controlada pelo Grupo Peixoto de Castro e pela espanhola Repsol, Manguinhos opera atualmente apenas com compra e venda de derivados. A atividade de refino foi suspensa há sete meses, diante da impossibilidade de repassar ao mercado interno a alta do preço do petróleo no mercado internacional. Cerca de 160 empregados, de um total de 300, foram demitidos desde então e, segundo fontes, a Repsol estaria pressionando seus sócios a fechar a unidade.

"A produção de biodiesel é interessante para a família Peixoto de Castro, que pode usar o metanol (um dos insumos para a produção do combustível) produzidos por outras empresas do grupo", disse um executivo com acesso à companhia. A empresa avalia se vai usar oleaginosas ou banha para fabricar bicombustíveis.

A ANP informou que há oito pedidos de autorização para novas plantas de biodiesel em análise. Atualmente, quatro empresas produzem o combustível e se preparam para entregar as primeiras cargas do contrato de 70 milhões de litros, assinado com a Petrobras no primeiro leilão de biodiesel promovido pela agência, no ano passado. Ainda este mês, novo leilão será promovido, para a compra de mais 170 milhões de litros. "Estamos criando um ambiente para antecipar as metas de adição de biodiesel", afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.

Até agora, a Petrobras é a principal compradora, seguindo estratégia do governo para garantir mercado para o produto, mas, a partir de 2008, todas as distribuidoras de diesel serão obrigadas a comprar o combustível para produzir a mistura chamada de B2. O gerente do ministério, porém, não acredita em queda significativa nos preços do biodiesel no curto prazo: no primeiro leilão da ANP, o preço médio foi de R$ 1,9 por litro, 40% acima do valor de venda do diesel derivado de petróleo.
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