Redenção do Nordeste
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou em dezembro o tão aguardado programa para uso do biodiesel, produção de combustível renovável a partir da utilização da mamona, dendê e girassol. Algo relevante para o nosso País particularmente o Nordeste. Entre os muitos fatores de importância deste programa, poderíamos ressaltar: combustível comprovadamente menos poluente do que o atual diesel, redução de nossa dependência no consumo de derivados do petróleo e, certamente, por se constituir numa fonte de energia estritamente nacional e renovável.
Face declarações na mídia nacional por experts do assunto, esse programa prevê expressiva potência de emprego na agricultura familiar, em médio e longo prazo, e implemento da agroindústria. Há um sentimento e certeza técnica de que a implementação e viabilidade desse programa, até o ano de 2006, cerca de 250 mil famílias de agricultores estarão engajadas no mesmo, representando a cifra aproximada de 43 mil famílias nordestinas que serão beneficiadas.
O programa do governo federal tem assegurado no seu sucesso expressivos incentivos: isenção total de impostos para o biodiesel produzido por agricultores da região Norte, Nordeste e Semi-Árido. Para o deputado federal, pelo Ceará, Ariosto Holanda: “este programa representa um passo definitivo para diminuir as desigualdades regionais tão aviltantes em nosso País”.
Afinal de contas, quais as reais disparidades regionais existentes em nosso País? Segundo recentes dados estatísticos apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU), a região do semi-árido é constituída por 11 Estados, mais de 1.350 municípios, registrando os maiores índices de exclusão social do Brasil. Nesta região vivem, aproximadamente, 26,7 milhões de brasileiros, dos quais 10,8 milhões são adolescentes, os quais são mais frágeis para os problemas de pobreza e exclusão social sob os mais variados aspectos. Recente pesquisa feita pelo Unicef divulgou que 75% das crianças e adolescentes desta região vivem ou integram-se em famílias que possuem uma renda per capita não superior a um salário mínimo. E vai mais além: 350 mil crianças entre a faixa etária de 10 a 14 anos não estão matriculadas em escolas, são consideradas como analfabetas.
Como reflexão final, a implementação deste programa agregado à transposição do rio São Francisco, certamente, haverá de contribuir, decidida e positivamente para uma real mudança deste quadro social vergonhoso, tendo em vista que irá fazer do nordestino o seu agente do próprio progresso social-econômico. Tais programas irão melhorar a qualidade de vida desta população, mercê serem geradores de emprego e renda, além de todo um clima favorável para o desenvolvimento da mamona, girassol e dendê. O foco central, neste momento, é que toda a sociedade ou comunidade nordestina engaje-se na concretização desta estratégia governamental, não importando a militância política. Somos todos chamados para o fortalecimento desta luta para um desenvolvimento econômico sustentável e contínuo da nossa região e até mesmo socialmente mais justo, redundando no crescimento desta região tão marcada e castigada pela inclemência climática, a seca nordestina.


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