Paraguai busca em Piracicaba informação para produzir biocombustíveis
O país quer autosuficiência em combustíveis e quer entrar com tudo na produção dos biocombustíveis, que pretende adicionar à gasolina e ao diesel. O primeiro passo nessa direção foi dado ontem, com a visita técnica que o senador paraguaio, Ronald Dietze Junghanns, fez ao Pólo Nacional de Biocombustíveis, sediado na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).
Segundo Junghanns, o Paraguai acaba de aprovar uma lei de incentivo à produção de biodiesel, que obriga às indústrias petroquímicas a mesclarem os combustíveis fósseis –– como gasolina e diesel –– com os renováveis."Não há ainda um índice definido na mistura. Vai depender da oferta que tivermos de álcool e biodiesel", afirma o senador, que informou que a medida entra em vigor no mês de outubro. Atualmente, o Paraguai importa 100% do combustível utilizado para o abastecimento de veículos.
"Queremos aumentar nossa área agrícola para começar a produção da matéria-prima necessária para a obtenção do álcool e do biodiesel", diz Junghanns. O país vizinho gasta cerca de US$ 400 milhões com a importação da gasolina e diesel. "Queremos diminuir esse valor e aplicar esforços dentro no nosso país. Usamos apenas 3 milhões de hectares para nossa produção agrícola e temos 40 milhões de hectares disponíveis", conta o senador.
VISITA –– Na visita ao Pólo, o representante do governo paraguaio deixou clara a intenção de firmar parcerias para o desenvolvimento do projeto de produção de combustíveis alternativos.
"O Brasil é um exemplo a ser seguido. E, Piracicaba também, pois é a cidade que sedia muitas empresas detentoras de tecnologia para a construção de usinas e tem um centro de pesquisa exemplar" diz. O interesse do senador, além das discussões sobre as leis que regulamentam o Programa Nacional de Biocombustiveis, são as indústrias envolvidas na fabricação de equipamentos, análises de custos de produção, balanços energéticos e políticas públicas.
Acompanhado do coordenador do Pólo, Weber Amaral, professor de departamento de Ciências Florestais da Esalq, a visita se estendeu ao grupo Dedini, indústria produtora de equipamentos para a produção de biocombustíveis."Nossa idéia é importar tecnologia. Então, temos que conhecer todas as etapas. Com o Pólo pretendemos ainda trocar informações e experiências. Esse é apenas o primeiro encontro", afirma.
Para Amaral, a visita do senador prova o reconhecimento internacional do Pólo Nacional de Biocombustíveis. "A transferência de tecnologia e informação mostra nossa participação nesse mercado. Saímos na frente nas pesquisas e temos a intenção de ampliar a participação e, consequentemente, os projetos", diz.


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