Malaios vão plantar dendê no município de Tefé, no Amazonas
Surtiu efeito a afirmação do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de que não é preciso derrubar nenhuma árvore na Amazônia para aumentar a produção agrícola ou pecuária na região. Para isso, segundo o ministro, bastaria apenas que o Brasil utilizasse os 165 mil km² de áreas degradadas já existentes. Um grupo da Malásia foi o primeiro a seguir o conselho de Stephanes. Os malaios decidiram investir no plantio de dendê em áreas degradadas do Amazonas.
A área escolhida fica no município de Tefé (a 525 quilômetros de Manaus), onde funcionava a Empresa Amazonense de Dendê (Emade). A empresa Felda trabalha com o beneficiamento do óleo de palma na Malásia. O grupo empresarial pretende plantar 20 mil hectares de dendê na Amazônia.
- Queremos usar somente a área já degradada, com mata secundária. As áreas de floresta serão preservadas, garante Iderlon Azevedo, presidente da Braspalma, que acompanha a negociação entre a Malásia e o Amazonas.
A intenção dos malaios foi dita ao titular da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), deputado Eron Bezerra, e ao presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), Edson Barcelos, na manhã desta sexta-feira ontem.
Três mil postos de trabalho
De acordo com a empresa, o projeto envolverá três mil postos de trabalho no município, caso seja aceito pelo Governo do Amazonas. O foco da Felda é a área de alimentícios, mas a fábrica também produzirá uma pequena quantidade de biodiesel.
Bezerra se mostrou favorável ao projeto, desde que se obedeça alguns requisitos, entre eles a política de policultivo. “O trabalhador não pode depender só do dendê. Ele tem que plantar mandioca, criar frango, peixe e cultivar abelhas, por exemplo. Cada um vai precisar de, pelo menos, 10 hectares”, explica.
Iderlon diz que o estado foi escolhido pela aptidão que tem ao plantio da palma. “A Amazônia tem o maior potencial mundial para a cultura”, afirma. A intenção da empresa é abastecer não só o mercado brasileiro com o óleo de dendê, mas também o de outros países. “O Brasil gasta R$ 70 milhões por ano com a importação do alimento”, diz.
De acordo com o presidente do Idam, Edson Barcelos, a reativação do projeto da Emade é uma antiga reivindicação dos produtores da região do Médio Solimões. Ele explica que, em 1984, por meio de um financiamento do Bird (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento), a Emade iniciou, em Tefé, a implantação de um projeto para plantar 2 mil hectares de dendê, dos quais foram alcançados apenas 1410.
O projeto consistia no recrutamento de famílias de trabalhadores rurais para cuidar de lotes de dendê e repassar a produção à usina beneficiadora da empresa, construída no local. A idéia era repassar o controle da usina para uma cooperativa de produtores, a longo prazo. No entanto, a partir do início da década de 90, com a extinção da Emade, mesmo com toda uma estrutura montada, com equipamentos comprados e construção de moradias, o projeto foi deixado de lado.
A empresa malaia vai enviar carta de intenções ao Governo do Estado no início de maio. O grupo, liderado pelo presidente da Felda, TanSri Yusof Noov, virá a Manaus dia 8 de maio.


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