International mostra em novembro testes de adequação do biodiesel
A International Engines South America, fabricante de motores veiculares e de uso agrícola e industrial, irá apresentar, em novembro, os resultados dos testes que buscam avaliar o uso do biodiesel, combustível renovável e biodegradável derivado de oleaginosas e gorduras animais (inclusive óleos de frituras já utilizados). A empresa, que investiu U$ 800 mil no projeto, trabalha em parceria com o Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas) da USP desde 2002.
A International vai determinar a adequação das diferentes formulações do biodiesel, fabricado a partir de diversas matérias-primas, em motores já comercializados pela empresa, como o HS 2.8L (uso veicular) e MS 4.1L (uso agrícola e industrial). �Começamos também a testar as emissões de poluentes e a performance juntamente com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)�, diz Fausto Neves, gerente de Engenharia de Projetos da International.
A partir do próximo mês, as distribuidoras terão permissão do governo federal para adicionar 2% de biodiesel ao diesel mineral. Neves acredita que o acréscimo de 2% não deve fazer diferença na emissão de poluentes. �O governo tem razão, contudo, em começar com cautela�, afirma. A International faz pesquisas com a perspectiva de motores que utilizem até 100% de biodiesel.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) se pronunciou favoravelmente à mistura de até 2% de biodiesel ao diesel derivado de petróleo. No caso da adição ficar acima desse percentual, a Anfavea espera novas pesquisas para se posicionar.
O governo federal prevê que a mistura de 2% de biodiesel se torne obrigatória em dois ou três anos. O programa do governo inclui um programa de inclusão social da população de baixa renda das regiões árida e semi-árida do Nordeste, baseada na agricultura familiar assistida e em cooperativas.
O biodiesel pode ser produzido a partir de oleaginosas como dendê, soja ou mamona, esta última à escolha preferencial do governo por se adaptar bem às regiões árida e semi-árida. Segundo estimativas do Ministério das Minas e Energia, o projeto geraria cerca de 37,4 mil empregos no campo. A produção atual de mamona no Brasil é de 50 mil toneladas/ano de óleo, com 250 mil hectares plantados no Nordeste � 60% da produção é proveniente da Bahia.
O custo do óleo de mamona é quatro vezes maior que o do diesel mineral. Para resolver os problemas ligados aos custos do biodiesel, o governo teria que subsidiar a produção e isentá-la de impostos, como é feito em programas semelhantes na Europa e Estados Unidos.
�O grande obstáculo na comercialização do biodiesel é o custo da produção�, diz Roseli Aparecida Ferrari, professora doutora do Departamento de Agroindústria Alimentar da Esalq (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz) da USP. Para Roseli, os benefícios ambientais podem se tornar economicamente vantajosos para o país.
Outra vantagem, de acordo com Roseli, seria a redução das importações de petróleo e diesel refinado. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) indicam que cada 5% de biodiesel adicionado ao diesel consumido no país representaria uma economia de cerca de US$ 350 milhões por ano.


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