Estado amplia leque de opções vegetais
O governo federal quer matar alguns coelhos com uma só cajadada com o biodiesel derivado de produtos vegetais: produzir combustível social com a utilização da mão-de-obra de assentamentos da reforma agrária e da agricultura familiar, reduzir a poluição atmosférica e incluir à sua matriz energética mais um produto genuinamente brasileiro e que não pode ser afetado por conjunções internacionais como é o caso do petróleo.
Quanto a proposta de produzir não há dúvida. Porém, ainda não há definição de política para o biodiesel e seu projeto avança na base do “achômetro”: acho que vai ser, acho que pode ser.
Mesmo com a compreensível falta de regulamentação, inclusive técnica por parte da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a perspectiva de se produzir um substituto, ou pelo menos, componente no óleo diesel cria clima de otimismo tanto nos eixos de produção agrícola em escala quanto nas áreas extrativistas.
O projeto prevê para o Nordeste brasileiro, o Norte de Minas Gerais e a região Norte ou Amazônica, a utilização da mamona e do babaçu como matérias-primas principais. Em Mato Grosso um leque de alternativa inclui na lista o caroço de algodão, girassol safrinha e a soja.
Biodiesel ainda não é uma palavra de domínio público. Esse verbete significa combustível produzido a partir de fontes vegetais renováveis, e se propõe a substituir o velho e bom diesel na frota pesada, nos tratores e equipamentos agrícolas e da construção civil, e na geração de energia elétrica.
As vantagens do biodiesel sobre o diesel são muitas. No campo ambiental ele não lança metais pesados no ar, a exemplo do enxofre, que é acumulativo. Seu custo de produção se comparado ao do diesel, que depende do petróleo importado, é bem menor.
A matéria-prima do biodiesel é produzida em larga escala em Mato Grosso. O quê da questão para utilizá-lo enquanto matriz energética alternativa é o preço do equipamento para processá-lo em todas as fases, desde o esmagamento da soja ou girassol até as reações químicas.
Um pequeno conjunto integrado para degomar e processar o óleo, com capacidade para produzir 100 litros/hora custa em torno de R$ 600 mil. O alto custo é comum em todos os novos produtos do avanço tecnológico. Quando a lei da oferta e da procura jogar esse preço no chão, Mato Grosso terá amplo caminho a percorrer movido a biodiesel. De olho no nicho de mercado mato-grossense, industriais do setor de biodiesel batem barracas em feiras, exposições e nos pátios de grandes laminadoras e empresas rurais. Pelo jeito, o reinado do diesel começa a ruir.


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