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Biodiesel

Desafios do biodiesel


Jornal Bom Dia Brasil/ TV Globo - Miriam Leitão - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:21

O governo vê o biodiesel como um projeto econômico, ecológico, e também como um projeto social. Mas a falta de regras pode atrapalhar os planos...

O Brasil precisa tomar o cuidado de evitar os erros do passado do pró-álcool. O primeiro erro é ser economicamente insustentável e depender sempre dos cofres públicos.

Hoje, a produção do álcool é lucrativa, mas durante todo o tempo que durou o chamado pró-álcool, os produtores recebiam subsídio do governo. O tesouro chegou a gastar o equivalente a R$ 2 bilhões para manter o programa.

O segundo erro é fazer um programa ambientalmente insustentável. Uma das razões da existência do biodiesel é reduzir a emissão de carbono do combustível fóssil, ou seja, do petróleo.

O pró-álcool também foi feito para reduzir o uso dos derivados, porque havia falta de produto no mundo. Mas o álcool, que é um combustível limpo, acabava poluindo ainda mais, porque os usineiros usavam as queimadas como técnica de produção.

Isto, felizmente, está mudando. Uma das coisas boas é o uso do bagaço de cana, que usa como matéria-prima um rejeito da usina.

Se biodiesel não for bem feito, ele pode reduzir a poluição por um lado, mas aumentar pelo outro. É preciso demarcar a área em que será produzido para evitar, por exemplo, a invasão da soja na Amazônia e a completa destruição do Cerrado.

Hoje, os produtores de soja garantem que não estão ameaçando a Amazônia, mas os ambientalistas garantem que estão, sim. Que o governo faça o seu trabalho: regule e fiscalize.