Desafios do biodiesel
O governo vê o biodiesel como um projeto econômico, ecológico, e também como um projeto social. Mas a falta de regras pode atrapalhar os planos...
O Brasil precisa tomar o cuidado de evitar os erros do passado do pró-álcool. O primeiro erro é ser economicamente insustentável e depender sempre dos cofres públicos.
Hoje, a produção do álcool é lucrativa, mas durante todo o tempo que durou o chamado pró-álcool, os produtores recebiam subsídio do governo. O tesouro chegou a gastar o equivalente a R$ 2 bilhões para manter o programa.
O segundo erro é fazer um programa ambientalmente insustentável. Uma das razões da existência do biodiesel é reduzir a emissão de carbono do combustível fóssil, ou seja, do petróleo.
O pró-álcool também foi feito para reduzir o uso dos derivados, porque havia falta de produto no mundo. Mas o álcool, que é um combustível limpo, acabava poluindo ainda mais, porque os usineiros usavam as queimadas como técnica de produção.
Isto, felizmente, está mudando. Uma das coisas boas é o uso do bagaço de cana, que usa como matéria-prima um rejeito da usina.
Se biodiesel não for bem feito, ele pode reduzir a poluição por um lado, mas aumentar pelo outro. É preciso demarcar a área em que será produzido para evitar, por exemplo, a invasão da soja na Amazônia e a completa destruição do Cerrado.
Hoje, os produtores de soja garantem que não estão ameaçando a Amazônia, mas os ambientalistas garantem que estão, sim. Que o governo faça o seu trabalho: regule e fiscalize.


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