Demanda por biocombustível na UE ainda não afeta oleaginosas
Um aumento na demanda européia por biocombustíveis devido aos altos preços do petróleo ainda não provocou grande impacto no mercado de oleaginosas, por causa da grande safra e da capacidade limitada de processamento, afirmaram analistas nesta terça-feira.
A alta nos preços do petróleo, que atingiu novos recordes na terça-feira, ficando acima de 64 dólares o barril, vem encorajando grandes consumidores em todo mundo a optarem por biocombustíveis, gerando maior demanda por cana de açúcar, grãos e óleos vegetais.
Mas o impacto nas oleaginosas será dificultado a curto prazo pelo fato de que a capacidade de processamento da Europa não tem acompanhado o mesmo ritmo da demanda por biodiesel, produzido principalmente a partir de semente de colza.
"A demanda (por sementes) está totalmente restrita por nosso processamento e capacidade de transformação limitados", afirmou Bernard Nicol, analista francês de oleaginosas e produtor de biodiesel.
"Há um grande entusiasmo para construir novas fábricas em todo lugar, mas isso não acontece do dia para a noite."
Muitos países da União Européia têm dito que planejam elevar a capacidade de produção de biodiesel para atingir a meta de 5,75 por cento de biocombustível na matriz até 2010, mas muitas fábricas não estarão operando até 2006 ou 2007.
"A capacidade da União Européia chegou a um ponto de saturação, então iremos precisar encontrar mercados que não sejam de biodiesel para a safra abundante deste ano", disse um trader.
Um comunicado da alemã Oil World projetou a safra de colza da União Européia em 14,6 milhões de toneladas este ano, em comparação ao recorde do ano passado, de 15,17 milhões. Traders e analistas tembém ressaltaram que na França, o aumento dos preços do petróleo iria beneficiar principalmente produtores de biocombustíveis, e não produtores de oelaginosas, que têm vendido suas sementes a preços fixos.
Em alguns países do bloco europeu, como a França, produtores de biocombustível definem um preço para "colza industrial", que vale para toda a temporada.
"O aumento nos preços do petróleo favorece principalmente produtores de biocombustíveis que vêem suas margens crescer. O impacto para agricultores é menor", afirmou um analista.
Os preços da oleaginosa podem ser impulsionados na próxima temporada se os preços do petróleo se mantiverem altos, se produtores de biocombustíveis concordarem em reduzir suas margens e se a safra não for muito grande se comparada à capacidade de processamento.


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