China já enfrenta falta de combustíveis
A crescente irritação na China com a escassez de combustível está aumentando a pressão sobre Pequim e as principais companhias de petróleo locais para que se crie uma nova política de preços capaz de evitar futuras crises no abastecimento de combustível para os motoristas.
O desabastecimento começou a se espalhar para o norte a partir de Guangdong, no sul da China, que nas últimas semanas teve as mais longas filas nos postos, até Xangai, a capital comercial do país, na região do delta do Yangtsé.
Ma Yangbao, diretor do Oriental Dingwang, um posto de combustível independente no centro de Xangai, disse que o fornecimento da Petrochina, a maior produtora de petróleo do país, diminuiu ao longo do mês passado até parar totalmente. "Não posso nem pagar o salário dos funcionários", disse, acrescentando que até os postos de propriedade da Petrochina tiveram seu suprimento diário cortado em 40%.
Embora as autoridades chinesas tenham culpado os furacões pelo atraso nas remessas de petróleo importado, a raiz do problema é a disparidade entre os preços globais e os locais do produto, segundo analistas e executivos do setor.
Temendo a inflação e uma reação de motoristas e agricultores, o governo se recusou a permitir o aumento dos preços locais nas bombas, acompanhando o padrão global. Os preços globais do petróleo aumentaram cerca de 30% neste ano, mas chineses, só cerca de 15%, deixando as refinarias como a Sinopec com grandes prejuízos nas vendas de combustível importado.
Um oficial da Sinopec em Pequim, falando sob a condição de anonimato, disse que na quarta-feira a companhia foi obrigada pelo governo a mandar suas refinarias produzirem gasolina para o mercado local, mesmo sem rentabilidade. "Não somos um canal de assistência ao público. A única maneira de resolver a questão é adotar um sistema de preços com base no mercado", disse.
O dilema da Sinopec também salienta os riscos dos investidores estrangeiros nos mercados de ações chineses. A Sinopec é parcialmente listada no exterior, com a responsabilidade de maximizar os retornos para seus acionistas globais, mas, como uma companhia de propriedade do Estado chinês, também deve servir aos objetivos políticos do governo.
Guangdong foi a cidade mais atingida pela escassez porque fica distante das regiões produtoras de petróleo da China, no norte, e é mais dependente de importações.
Varejistas como Ma, que possuem postos de combustível não-afiliados às três grandes do petróleo -Petrochina, Sinopec e CNOOC-, foram mais duramente atingidos, porque são os últimos na fila para receber os suprimentos limitados. "Deveriam liberar o aumento do preço da gasolina -por que países como Cingapura podem enfrentar a alta dos preços globais sem sofrer escassez?", ele disse.
Stephen Green, da Standard Chartered em Xangai, disse que as refinarias chinesas sofreram um prejuízo total de 4 bilhões a 6 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,2 bilhões a R$ 1,7 bilhões) no primeiro semestre. "Uma reforma do sistema de preços agora parece estar em discussão, mas é claro que será gradual para não permitir um surto de inflação", disse.


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