Candidatos pregam independência do petróleo internacional
Washington – Ambos os principais candidatos para presidente dos EUA querem que o país seja menos dependente do petróleo internacional. Mas quem quer que seja eleito encontrará os mesmos desafios que derrotaram as tentativas de três presidentes anteriores que esperavam pela mesma coisa, dizem especialistas.
Com a gasolina a US$2 o galão (3,7 litros aproximadamente) e forças americanas desconfortavelmente ocupando o país com a segunda maior reserva de petróleo do mundo, a questão da dependência americana ao petróleo importado apareceu apenas esporadicamente.
O senador John Kerry, o candidato Democrata, prometeu “tornar esta nação independente do petróleo do Oriente Médio em 10 anos”, em observações que empolgou especialistas em energia que apóiam grandes mudanças nos padrões de consumo dos EUA.
O presidente Bush, que disse em seu discurso anual do Congresso no ano passado, “nosso terceiro objetivo é promover a independência energética para nosso país”, argumentou que o Congresso deveria passar o seu plano que permite aumentar a produção doméstica de petróleo e modestamente aumentar a eficiência de combustíveis.
Mas especialistas alertam que nenhuma das atitudes públicas nem as condições econômicas ou tecnológicas fornecem um plano claro para mudanças significativas no consumo de petróleo.
A percepção publica é também um obstáculo crucial.
“A independência energética não entra como uma questão importante”, disse John R. Boesel, presidente da Calstart, um consórcio de companhias sem fins lucrativos que trabalha em tecnologias de energia de transporte limpas e eficientes. Ao assistir os debates, Boesel disse: “Eu estava sentado em casa arrancando os meus cabelos. Será que ninguém pode falar sobre petróleo quando se fala em Iraque? Existe uma conspiração de silêncio sobre o petróleo”.
Nancy Hazard, diretora executiva da Associação de Energia Sustentável do Nordeste, disse que a guerra no Iraque e o alto preço da gasolina não eram suficientes para que os motoristas se interessassem em mudar o que dirigem.
“Você não pode fazer as pessoas mudarem, ao menos que a novidade seja mais legal, melhor ou moderna do que a anterior”, disse Hazard, cuja organização patrocina uma corrida anual de veículos movidos a combustíveis alternativos.
Até agora, o crescente aumento da gasolina não aparentou causar impacto na demanda. Em setembro, a distribuição de gasolina aumentou em 1,8% comparada com o mesmo período do ano passado, quando o preço era por volta de US$1,5 o galão. A demanda por diesel cresceu ainda mais. A demanda para as maiores pick-ups no mercado caiu um pouco.
“As pessoas não querem fazer nada diferente se não precisarem”, disse Richard R. Kolodziej, presidente da Coalizão de Veículos à Gás Natural. Ele disse que o preço de atacado do gás natural para o equivalente a um galão de gasolina ainda era menos de US$1.
As propostas de Kerry e de Bush não são novas. Em novembro de 1973, durante o embargo árabe ao óleo, o presidente Richard M. Nixon declarou que “no último terço deste século, nossa independência estará sujeita ao desenvolvimento e a manutenção da auto-suficiência energética”. Ele convocou um programa par alcançar esse ponto em 1980. Em abril de 1977, o presidente Jimmy Carter pediu aos americanos que inventassem e conservassem para escarpar da crise energética.
E em 1992, depois da Guerra do Golfo Pérsico, o presidente George Bush assinou uma lei que supostamente alimentaria um sistema de combustível alternativo, para que, no ano 2000, 10% dos novos veículos pudessem ser movidos por outra coisa além de gasolina. Em 2010, segundo a lei, serão 30%.
Nos anos seguintes, a General Motors construiu um carro movido a bateria eletrônica, mas depois o cancelou, a Ford produziu uma seleção veículos a gás natural, mas recentemente desistiu deles também. As automobilísticas produziram milhões de carros capazes de rodar a base de etanol ou um mistura de etanol-gasolina, mas a maioria roda com gasolina. O etanol não é universalmente aceito, porque se gasta energia para produzi-lo.
A eficiência, de fato, aumentou. Para cada dólar de produtos e serviços produzido nos EUA, o consumo de petróleo e gás natural caiu em 55%, de acordo com o Departamento de Energia. Consumo de todos as formas de energia por dólar de produtos e serviços também caiu, em quase 50%.
E motores de carros trabalham mais com um galão de gasolina do que antes, por usar injeção de combustível em vez de carburação, quatro válvulas por cilíndro e outras melhorias. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental, se carros e outros veículos leves, como minivans, SUVs e pick-ups, fossem do mesmo tamanho hoje como eram no final dos anos 80, e se tivessem a mesma aceleração, eles iriam 20% mais longe com um galão de gasolina que os atuais modelos 2004. Mas os veículos se tornaram maiores, com uma maior aceleração.
E enquanto consumidores optam por veículos que são grandes e rápidos, eles raramente clamam por algo que roda com combustível alternativo.
Alguns especialistas dizem que existem várias mudanças que tornam o impulso em direção a independência energética mais provável hoje. Uma é que a demanda mundial galopa crescentemente, e não é mais liderada pelos Eua, mas pela China. Isso ajudou a empurrar o preço do barril para um recorde em termos de dólar, apesar de não quando ajustado com a inflação. Ainda assim, especialistas dizem que o ponto em que a produção de petróleo atingir seu pico é incerto, mas breve.


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