Cadeia de biocombustíveis expõe necessidades
A necessidade de articulação da cadeia produtiva interessada na produção de biocombustíveis foi o foco principal dos debates realizados no painel realizado na quinta-feira (01-09) no Rincão da Pesquisa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), durante a Expointer 2005. A iniciativa, liderada pela secretarias da Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul (SAA) e Desenvolvimento e Assuntos Internacionais (Sedai) e a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), reuniu desde pesquisadores de grãos para matéria-prima de biodiesel até palestrantes sobre as linhas de crédito para o plantio.
Na abertura do evento, o secretário da Agricultura do RS, Odacir Klein, sustentou a tese de que Estado encara a questão da produção do biodiesel como estratégica e afirmou que a definição de política agrícola específica será articulada levando em consideração todos os elos e mecanismos necessários para o produtor ter garantia de mercado comprador e indústria de processamento adaptada para o segmento.
A articulação do segmento também foi abordada pelo secretário Luiz Roberto Ponte, do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais. “É necessário que haja um arranjo produtivo para exploração do biodiesel, pois há uma crescente demanda por alternativas mais viáveis de combustível, como demonstra o aumento de veículos equipados com tanques que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com gás natural”, justificou.
Já o coordenador do Programa Gaúcho de Biodiesel (Probiodiesel), David Chazan, relatou o novo marco regulatório nacional que permite a inclusão de até 2% de biodiesel no diesel comum nos próximos dois anos. “A partir de 2008, a adição de 2% do produto ao combustível será obrigatória e até 2013 deverá ser ampliada para a cota de 5%”, menciona. Para se ajustar à regra numa primeira etapa, o pesquisador da Cientec acredita que o Rio Grande do Sul precisará produzir 70 milhões de litros de biodiesel por ano.
Chazan enfatizou ainda que a produção de biodiesel vai além das vantagens estratégicas e econômicas. “O primeiro lote de biodiesel, com 10 toneladas, foi produzido na Alemanha em 1991. Em 2004, o país produziu 1,035 milhões de toneladas, o salto foi resultado de uma política de incentivo para a fixação dos alemães orientais no meio rural, que enfrentavam uma crise econômica após a reunificação das duas Alemanhas”, comenta. Além disso, o coordenador do Probiodiesel salientou a melhoria ambiental, oriunda da redução de gás carbônico na atmosfera, um subproduto nocivo do diesel comum.
Fonte e financimento:
Conforme o pesquisador Nídio Barni, da Fepagro, os grãos que apresentam potencial de produção nas condições de clima e solo do Estados são a soja, a mamona, o girassol, a canola e o amendoim. Barni também falou que o Brasil possui uma outra alternativa para biodiesel, o dendê, mas essa cultura se adapta apenas para o Norte, Nordeste e no Semi-Árido. “Com o dendê podemos obter de 5 a 7 toneladas ao ano de óleo vegetal por hectare, com a soja o rendimento pode atingir 0, 4 toneladas por hectare ao ano”, explica o agrônomo.
O agrônomo alertou para a necessidade do Rio Grande do Sul não concentrar a produção do biodiesel apenas em uma cultura, pois a ocorrência de estiagem e geadas são fatores limitantes. A diversificação também vai permitir a escolha por parte do produtor sobre qual mercado pode destinar à venda. “Se a soja estiver valorizada no mercado internacional, o produtor poderá optar por exportar sem que o mercado interno de biodiesel sofra problemas de abastecimento. Assim, poderá ocorrer com outras culturas. Por isso, é essencial que se trabalhe com mais de um tipo de grão”, esclarece o pesquisador.
O Rio Grande do Sul tem pesquisas com as cinco culturas indicadas para produção de biodiesel. Os estudos mais recentes são com a mamona, iniciados em 2001. O pesquisador da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, Sérgio Delmar dos Anjos e Silva, mostrou alguns dados sobre a comparação de cultivares (raças de grãos) que a instituição está realizando para, em parceria com a Fepagro, produzir as recomendações técnicas sobre aos agricultores.
Para facilitar a implantação das culturas, o diretor-presidente da Caixa RS, Dagoberto Lima Godoy, e Rogério Wallau, vice-presidente da agência de fomento, falaram sobre as possibilidades de financiamento. O produtor de biodiesel pode financiar até 90% do valor do projeto quando portar o selo de combustível social. Para obter o documento é necessário comprovar junto Ministério do Desenvolvimento Agrário a incorporação da produção de no mínimo 30% de agricultores familiares. Os juros variam de 4 a 5% ao ano. Para os empreendedores que não possuem o selo, o financiamento poderá ser liberado em até 80% do investimento total. O prazo de pagamento estipulado é de cinco a oito anos.
Também participaram do painel o superintendente federal do Ministério da Agricultura e Abastecimento, Francisco Singor, apresentando a política de incentivo do governo federal, e o assessor de política agrícola da Fetag, Waldecir Zonin, que comentou as ações desenvolvidas para informar os agricultores familiares sobre biodiesel. As informações são da assessoria de imprensa da Fepagro.


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