Biodiesel pode ser a conciliação do econômico com o ecológico
Menos comprometimento da natureza. Mais desenvolvimento sustentado. É neste contexto que se deve entender o esforço do Brasil na linha de incorporar o biodiesel em nosso processo produtivo. Na verdade, nosso país importa ainda, mais ou menos, 20% do petróleo que consome, gastando para tanto preciosas divisas.
O biodiesel – inicialmente estimado em 2% a ser adicionado – pode ser obtido a partir da soja, do óleo de mamona, do amendoim, da colza, do óleo de fritura, da palma, do dendê etc. Não é apenas a questão ambiental que sustenta a tese do biodiesel. Este é o marketing. Existe também a questão econômica. O foco, então, é interno:
1 - redução de dispêndios de divisas. O diesel é utilizado para movimentar tratores, ônibus, caminhões. Mesmo que o país conseguisse produzir todo petróleo que consome, ainda assim teria que continuar importando diesel porque nosso petróleo não permite a extração de diesel em proporção de outros tipos e de outras modalidades;
2 - melhor distribuição regional de renda. Soja e óleo de mamona, dois produtos que serão mais utilizados inicialmente na obtenção do biodiesel, são muito bem distribuídos pelo território nacional. Muito diferente da localização conhecida dos poços de petróleo;
3- melhor performance na geração de empregos porque ambas culturas, notadamente a mamona, é intensiva em mão-de-obra. Tecnologia o país desenvolveu a ponto de tornar a iniciativa relativamente econômica.
É preciso, agora, ganhar escala na produção o que vem do mercado consumidor. O aditivo de 2%, que se cogita ser opcional, dificilmente seria utilizado se não for através de incentivo. E aí é necessário um conjunto de medidas que saiam de um consenso entre os setores público e privado da produção.
Uma das medidas oportunas seria começar a se pensar em incluir o biodiesel na matriz energética nacional, algo ainda não suficientemente claro.
Nela, somente para se ter uma idéia, o próprio álcool carburante, tanto o anidro como o hidratado, ainda não tem um lugar definitivo e definido. A matriz energética nacional pode ser a primeira medida para se instituir um planejamento.


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