Biodiesel aguça o apetite de três multinacionais européias
O potencial brasileiro na produção de biodiesel já aguça o apetite de grandes multinacionais européias. Em menos de 15 dias, o País recebe a visita de executivos das alemãs CCC Machinery e Cimbria-Sket e da britânica Biodiesel Energy Trade Ltda interessados na atividade.
Paralelamente, a "verde-amarela" Granol Indústria, Comércio e Exportação S.A. acaba de assinar um protocolo de intenções com o governo gaúcho para a reativação da Centralsul a fim de produzir o combustível limpo no estado a partir de 2009. Da parte da brasileira, estão previstos investimentos de R$ 20 milhões.
Como se trata de missões com caráter de "primeiro contato", informações sobre valores e locais para a aplicação dos recursos das multinacionais ainda estão sendo definidos. O grupo britânico esteve reunido com o governo do Mato Grosso do Sul na última terça-feira e segundo o secretário de Produção, Dagoberto Nogueira, técnicos da empresa devem visitar o estado ainda este mês. "Os empresários queriam saber o que o governo pode oferecer de benefícios, além da garantia de que teriam matéria-prima para a produção do biodiesel. Os técnicos visitarão diversos municípios a fim de escolher uma matéria-prima para a produção do combustível. A partir daí iremos escolher uma área e continuar com as negociações."
De qualquer forma, mesmo sem a definição de negócios, Nogueira afirma que uma lei estadual garante que a empresa terá, além do terreno e serviços básicos como energia e água, de 67% a 90% de incentivo fiscal no período de cinco a 15 anos. "Além desses benefícios, assim que a região for escolhida, podemos negociar outras oportunidades com a prefeitura local", diz.
ABIOdiesel
O contato com os grupos alemães está sendo feito pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel (ABIOdiesel), Nivaldo Rubens Trama. Ontem, o executivo recebeu a visita do grupo CCC Machinery. Segundo ele, se trata de uma trading que deseja ingressar nesse segmento. "Essas visitas são sondagens, uma vez que temos grande capacidade de produzir matéria-prima. Além disso, a tendência é que a necessidade por esse combustível aumente consideravelmente na Europa nos próximos anos", avalia Trama. Ainda segundo ele, a visita com o grupo Cimbria-Sket, já está agendada para a próxima segunda-feira. "Essa empresa é uma das maiores fabricantes alemãs de máquinas de esmagamento e instalação de unidades de biodiesel. No entanto, a demanda européia por esse produto tem crescido, mas não há espaço suficiente para produção de matéria-prima", afirma o executivo.
Trama conta ainda que o biodiesel surge como opção para suprir uma baixa na demanda por óleo de soja. "Acredito que nos próximos dois anos as grandes esmagadoras migrarão parte de suas atividades para a produção de biodiesel a fim de aumentar o mix de opções na hora de comercializar seus produtos. Além disso, as matérias-primas que possuem grandes escalas, como a soja, serão o principal foco dessas empresas."
Granol
Justamente de olho nesse novo nicho, segundo informações do governo do Estado do Rio Grande do Sul, o governador Germano Rigotto (PMDB) assinou, ontem pela manhã, um protocolo de intenções para reativação e expansão de uma planta industrial da Centralsul, em Cachoeira do Sul, pela Granol. O investimento a ser feito pela Granol é de R$ 20 milhões, dos quais R$ 10 milhões vão ser aplicados na reativação imediata do complexo industrial, que deverá retomar as atividades no início do próximo ano.
A unidade que estava desativada há 20 anos, irá processar inicialmente 300 mil toneladas/ano de soja, 60 mil toneladas de óleo bruto de soja e 240 mil toneladas de farelo do cereal. O acordo entre o governo gaúcho, a Granol e a prefeitura do município prevê também a partir de 2009 a produção de biodiesel.
Entre 2007 e 2008, deverá ser ampliada a capacidade de recebimento de soja (inclusive por meio ferroviário), de secagem e de armazenamento de grãos. Em uma outra fase de expansão, que começará em 2009, a capacidade de esmagamento de soja passará para 500 mil toneladas/ano e terá início a produção de óleo combustível a partir de oleaginosas. Serão oferecidos 100 novos empregos diretos e outros 400 indiretos. "Acredito que poderemos antecipar a data prevista para o início da produção de biodiesel, dependendo dos incentivos que o governo possa vir a oferecer", avaliou o secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Luis Roberto Ponte.


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