Biocombustíveis serão as commodities do futuro
A opinião é do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, para quem o Brasil será o grande fornecedor mundial destes produtos. Ele afirmou que o país precisará aumentar sua produção de etanol em 11 bilhões de litros, o que, junto com o aumento da produção de açúcar, deverá gerar 200 mil novos empregos. 'Isso sem falar no biodiesel', declarou Rodrigues.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, acredita que os biocombustíveis vão se tornar commodities importantes e que o Brasil terá um grande papel no comércio mundial destes produtos. "A agroenergia e o biocombustível surgem como novos paradigmas e o Brasil tem condições excepcionais para ser o grande fornecedor mundial dessas novas commodities", afirmou ele, na sede da Sociedade Rural Brasileira em São Paulo, na sexta-feira passada.
A demanda internacional por combustíveis alternativos está crescendo. Dois fatores que impulsionam este fenômeno são a entrada em vigor do protocolo de Kyoto, que prevê a redução da emissão de gases poluentes em escala mundial, e o forte aumento no preço do petróleo.
Só para se ter uma idéia, o Brasil, que já é o maior produtor e exportador do mundo de álcool combustível, exportou no ano passado 2,4 bilhões de litros do produto, contra 1,1 bilhão em 2003. Os principais compradores de álcool do país são os Estados Unidos e a Índia, que utilizam o produto para misturar na gasolina.
O Brasil utiliza o etanol em larga escala em sua frota de veículos há 30 anos, primeiro com os carros movidos exclusivamente a álcool e agora com os veículos bicombustível, que funcionam tanto com gasolina, como com álcool e com qualquer mistura dos dois. De acordo com Rodrigues, hoje existem cerca de 750 mil veículos bicombustível no país, mas expectativa é de que o número suba para 8 milhões em 2013.
Isto, segundo o ministro, vai gerar uma demanda de 11 bilhões de litros por ano a mais do que os 14 bilhões de litros que o Brasil produz atualmente. "Se essa expectativa se consolidar vamos ter uma demanda por mais 1,8 milhão de hectares para o plantio de cana-de-açúcar", afirmou. Segundo ele, o país tem hoje 5,5 milhões de hectares cultivados com a planta.
Açúcar
Outro fator que deverá impulsionar o aumento da área plantada com cana é o aumento da demanda por açúcar.
De acordo com Rodrigues, a partir de 2013 haverá uma demanda adicional de 25 milhões de toneladas de açúcar por ano, e o país deverá ser responsável por metade dessa demanda. "O setor açucareiro no mundo vive um momento positivo. A demanda por açúcar cresce 2% ao ano", disse.
Com o aumento da produção de álcool e açúcar também deverá aumentar o número de empregos. "Somando as duas expectativas, de álcool e açúcar, o horizonte é de uma demanda de mais de 3 milhões de novos hectares de cana-de-açúcar, produzindo mais de 200 mil empregos diretos, sem falar no biodiesel", disse o ministro. Além do álcool, o Brasil está investindo na produção de biodiesel.


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