Qual é o verdadeiro potencial do H-Bio?

O governo federal não conteve o alarde ao lançar o H-Bio, o novo combustível que utiliza óleos vegetais em sua composição, em junho deste ano. Mas até que ponto o entusiasmo se justifica? Para alguns especialistas, o governo está otimista demais com o potencial econômico dessa inovação, lançada pela Petrobras em plena crise do gás boliviano. “Diferentemente do biodiesel, o H-Bio terá vida curta. Se o petróleo acabar, como se prevê daqui a 30, 40 anos, o H-Bio estará igualmente extinto”, constata Univaldo Vedana, diretor da BiodieselBR, lembrando que apenas 10% do novo combustível é composto por óleo vegetal. As dúvidas se agravam pelo fato de que a Petrobras ainda não apresentou nenhum teste de aplicação do H-Bio em motores comuns. “O produto foi lançado com cunho político, para animar os produtores de soja”, afirma um especialista que prefere não ser identificado.

Pelo projeto original, a estatal pretende produzir, inicialmente, 2,56 milhões de metros cúbicos de H-Bio em 2007 – o que vai demandar 256 mil litros de óleo de soja. Em 2008, a produção aumentará para 4,25 milhões de metros cúbicos, com demanda de 425 mil litros de óleo. O físico e professor emérito da Unicamp, Rogério Cezar de Cerqueira Leite acredita no potencial do H-Bio, mas questiona alguns pontos. “Eu critico a intenção da Petrobras e do governo federal de usar esta tecnologia para a manutenção da cultura da soja ou expandi-la. O H-Bio é baseado em óleo de soja e só poderá se sustentar de forma economicamente competitiva com subsídios. É fundamental que se use culturas de maior produtividade como combustível”, diz o físico. Ele afirma que, se a intenção é inserir biocombustíveis na matriz energética, o melhor seria optar por óleos que apresentem maior produtividade por hectare.

O alcance social da tecnologia do H-Bio é outro ponto contestado. “Diferentemente do biodiesel, o H-Bio não pode ser feito em pequena escala, é produzido apenas em refinarias”, diz Vedana. Enquanto o biodiesel é totalmente vegetal, o HBIO é produto industrial da mistura de petróleo com óleos vegetais. Essa mistura é feita durante o processo de refino nas unidades de hidrotratamento das refinarias. “Por isso, este cultivar é de baixa produtividade e socialmente nefasto”, completa Leite. Outra questão a ser resolvida se refere à venda do H-Bio. Hoje, existe uma legislação que regulamenta o comércio do biodiesel, mas ainda não há uma específica para o H-Bio.

Nas últimas três semanas, AMANHÃ tentou ouvir a Petrobras a respeito do assunto, mas não obteve resposta.

por Andréia Barros
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