Proporção de biodiesel pode aumentar até 25%
Resultados de testes feitos pela empresa International Engines, de São Bernardo, apontam que o biodiesel, combustível à base de óleos vegetais (de soja ou mamona, entre outros), pode ser misturado numa proporção de até 25% ao diesel extraído do petróleo sem que o desempenho do motor seja afetado. Além disso, na mistura B25 (de 25% de biodiesel ao óleo diesel), há redução de emissão de material particulado de 25% a 35%.
A companhia faz testes em parceria com o Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas) da USP em duas etapas. A primeira etapa, que incluiu testes das misturas B2, B5, B25 e B100, e cujas conclusões foram divulgadas em congresso da SAE (Sociedade da Engenharia Automotiva) em São Paulo há poucos dias, refere-se à análise de performance do motor, às emissões de poluentes e à qualidade do biodiesel.
Segundo o gerente de marketing da International, Élcio Reginato, até o B25 o motor apresenta a mesma performance e mesmo consumo de combustível que um motor a diesel mineral. "Quando fomos para o teste do B100 (só biodiesel), houve mudança mais significativa de performance e consumo e, com isso, precisaria haver melhor avaliação para calibração ou ajuste", disse. A ressalva é que, com 25% de combustível verde, há um aumento do nível do NOX (óxido de nitrogênio), de acordo com os testes.
Os resultados são preliminares, mas indicam que há boas possibilidades técnicas de ampliar a proporção do óleo vegetal sem comprometer os motores da frota atualmente em circulação. O governo federal deve até o final deste ano introduzir o marco regulatório (que deve incluir tributação específica) para que o biodiesel, inicialmente em B2, passe a ser misturado ao diesel. Com isso, o Brasil poderia reduzir a dependência do mercado externo em relação ao petróleo.
Reginato afirma que ainda faltam testes de durabilidade (vida útil do motor), mas a experiência internacional aponta que o produto é viável tecnicamente de ser implementado. "Na Alemanha, há taxis que rodam com B100." Duas questões, segundo ele, terão de ser enfrentadas: uma delas é econômica e outra, técnica. A primeira se refere ao fato de que, para introduzir o B2, será necessário ter produção de 800 milhões de litros anuais de biodiesel. A outra se relaciona à importância de ter um padrão de especificação único (de viscosidade, densidade, entre outras) para o biodiesel em todo o país.


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