Produção de biodiesel ainda é bem pequena
"O biodiesel não é mais um combustível puramente experimental no Brasil. Podemos dizer que estamos hoje na fase inicial de comercialização. Mas temos ainda muito a avançar", afirma Silvio Crestana, diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ele explica que a atual estrutura nacional de produção de biodiesel pode ser caracterizada ainda como incipiente e fortemente baseada em experiências com plantas-piloto, com volume de produção bastante reduzido.
Segundo a Associação Nacional de Petróleo (ANP), o país conta, até o momento, com apenas 12 plantas produtoras, das quais cinco já estão autorizadas a produzir comercialmente e sete estão em processo de autorização.
O potencial de produção atual é estimado em 176 milhões de litros anuais. Esse nível de produção é um dos maiores desafios para o cumprimento das metas estabelecidas no âmbito do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que necessitará de aproximadamente 750 milhões de litros em sua fase inicial.
Ou seja, a capacidade produtiva atual supre somente 17% da demanda, considerando a mistura de 2% de biodiesel ao diesel nacional.
O Plano Nacional de Agroenergia estabelece uma série de diretrizes e ações para a estruturação do programa de produção e uso de biodiesel no Brasil.
A primeira é a de que, por se tratar de um país tropical, com dimensões continentais, o desafio colocado é o do aproveitamento das potencialidades regionais, seja das culturas já tradicionais, como a soja, o amendoim, o girassol, a mamona e o dendê, seja das novas alternativas, como o pinhão manso, o nabo forrageiro, o pequi, o buriti, a macaúba e uma grande variedade de oleaginosas a serem exploradas.
A Embrapa, no entanto, é cautelosa quanto à potencialidade de novas alternativas. Embora algumas plantas nativas apresentem bons resultados em laboratórios (como o pequi, o buriti e a macaúba), sua produção é extrativista e não há plantios comerciais que permitam avaliar com precisão as suas potencialidades.
Já entre as culturas tradicionais, merecem destaque a soja (cujo óleo representa 90% da produção brasileira de óleos vegetais), o dendê, o coco, o girassol (pelo rendimento do óleo) e a mamona (pela resistência à seca).
Combustível será fonte de emprego e renda no campo
O Plano Nacional de Agroenergia também mostra que o biodiesel será um importante instrumento de geração de empregos e de renda no campo. Estudos desenvolvidos pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Integração Nacional e das Cidades mostram que para cada 1% de participação da agricultura familiar no mercado de biodiesel do país seria possível gerar cerca de 45 mil empregos no campo – admitindo que para cada emprego no campo são gerados três nas cidades, seriam criados 180 mil empregos.
No Semi-Árido, a renda anual líquida de uma família a partir do cultivo de cinco hectares com mamona e uma produção média de 700 e 1,2 mil quilos por hectare pode variar entre R$ 2,5 e R$ 3,5 mil. Sem falar que a área poderá ser consorciada com outras culturas, como feijão e o milho. As projeções da Embrapa de produção de biodiesel para os próximos trinta anos são promissoras.
O Brasil poderá produzir, apenas para o mercado interno, um volume aproximado de 50 GL (Gigalitros). Nos primeiros anos, evidentemente, o mercado interno absorverá a totalidade da produção, mas até 2035 a produção de biodiesel será equivalente para os mercados internos e externos.
O parque de usinas produtoras vai ser composto de pequenas, médias e grandes unidades. As pequenas, voltadas ao atendimento da demanda localizada, enquanto que as médias e grandes atenderão o mercado atacadista e a exportação.
Nesta data a média de produtividade poderá chegar a cinco toneladas por hectares, em oposição aos 600 quilos por hectare atuais. "A evolução ocorrerá inicialmente por meio de melhoria nos sistemas de produção, aumento de produtividade e de teor de óleo das oleaginosas atuais", explica o diretor-presidente da Embrapa.
"Mas isso se tivermos um dramático investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, capaz de promover um adensamento energético das espécies oleaginosas", ressalta Crestana. Ele argumenta também que, atendida essa premissa de aumento da densidade energética, diminuirá a pressão relativa por incorporação de novas áreas.
Maior fábrica
O grupo Bertin, com sede em Lins, anunciou, em Piracicaba, a instalação da maior fábrica de biodiesel do país em Lins, com produção para 100 milhões de litros/ano. A produção de biodiesel pelo Bertin será a partir do sebo de boi, subproduto que o Grupo tem de sobra, já que possui um dos maiores frigoríficos do país. A demanda de biodiesel no Brasil será de 800 milhões de litros a partir de 2008, quando se torna obrigatória a mistura de 2% de biodiesel no óleo diesel.


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