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O novo Texas é aqui

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quarta, 29 dezembro 2004 . Folha de S. Paulo - Eduardo Pereira de Carvalho, economista, é presidente da Unica   
Revista BiodieselBR
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Quem não se lembra de um rapaz humilde que depositou todas as suas economias e esperanças na procura de petróleo no Texas? E que, no momento em que estava à beira da falência, viu jorrar o "ouro negro", exultante, e soube que se tornaria um milionário? Essa imagem de James Dean no filme "Assim Caminha a Humanidade" é, na verdade, emblemática do século 20, em que o petróleo foi a força motriz do desenvolvimento.

Sua exploração, incipiente nos idos de 1850 nos EUA, ganhou fôlego com a invenção do automóvel e acabou com o reinado do carvão, propulsor da industrialização desde a segunda metade do século 18.

Mas, no século 21, o cenário é outro, tendo nas diferentes fontes renováveis de energia o motor de seu desenvolvimento -e, sob esse aspecto, o Brasil é o novo Texas, devido à sua experiência e ao seu potencial como produtor de etanol combustível.

Assistimos, nos anos 70, a crises de oferta de petróleo em que predominavam as motivações políticas, que levaram os preços às alturas. Agora impera a dificuldade de adequar a oferta a uma demanda aquecida.

Com o consumo mundial de gasolina perto de 1,2 bilhão m3 ao ano (ou 7,7 bilhões de barris/ano), e com poucas reservas novas, cresce a expectativa de a produção mundial de petróleo alcançar seu pico no início da próxima década. Depois disso é ladeira abaixo.

É evidente que nem o carvão, nem o petróleo (leia-se aí também o gás natural, em prazo um pouco mais longo) vão desaparecer de uma hora para outra. Mas certamente irão perder seu papel estratégico de dar as cartas do processo de desenvolvimento econômico.

Se o petróleo tende a ser o paradigma do passado, torna-se imperativo concentrar esforços no desenvolvimento de fontes limpas e renováveis, que representem garantia de melhor qualidade de vida para as gerações futuras.

O etanol, utilizado na indústria química e alimentícia, ganhou as ruas e estradas do Brasil como opção à gasolina nos anos 70. Vemos hoje a multiplicação de seu uso pelos mais diversos cantos do mundo, representando mais de 70% da produção total de álcool.

Destacam-se Brasil e Estados Unidos, com mais de 85% da demanda atual. Em 2004, dos quase 4 milhões m3 de transações internacionais de etanol, mais de 700 mil m3 destinaram-se a seu uso como combustível.

Esse mercado só tende a crescer, especialmente como aditivo à gasolina. Sua produção local, a partir de matérias-primas como cana, milho, mandioca etc., gera a expansão do agronegócio e do emprego.

O etanol também tem papel relevante na diversificação da matriz energética, aumentando a segurança do abastecimento, com impacto positivo sobre o meio ambiente ao reduzir emissões nocivas, quer locais, quer globais.

Para os países que dependem de importações de petróleo, acrescenta-se o benefício da diminuição de gastos em divisas.

Tudo isso vale também para o biodiesel, produzido a partir de uma constelação de óleos vegetais.

Assim, o etanol e o biodiesel são a base de uma "nova agricultura energética", recebendo o apoio de iniciativas ambientais tais como a Diretiva de Biocombustíveis da União Européia, o Programa de Combustíveis Oxigenados dos Estados Unidos e o Protocolo de Kyoto.

Se o consumo de etanol é ainda pequeno em relação ao da gasolina -cerca de 2,5%-, também é fato que a cada dia mais países estudam e implementam seu uso para mitigar o impacto negativo dos combustíveis tradicionais.

Além de Brasil e EUA, Índia, Tailândia, China, Coréia, Filipinas, Austrália, África do Sul, Colômbia, Peru, Guatemala, Canadá, Suécia, Alemanha, França, Espanha e Reino Unido têm se voltado para o uso de combustíveis renováveis.

E, para criar e ampliar programas de álcool combustível, é preciso expandir a "agricultura energética". Um mercado mundial de álcool combustível implica a adesão de países como Japão e Coréia, que não dispõem de matéria-prima, mas precisam do etanol por questões econômicas e ambientais.

Mesmo sendo o maior produtor e exportador mundial, o Brasil tem se colocado à frente da criação de um grande mercado internacional de etanol por uma questão estratégica: é primordial a existência de uma grande rede de fornecedores para maior garantia de oferta do produto, com estoques de segurança para disciplinar os preços.

É essencial a harmonização internacional das políticas de etanol combustível, com a padronização das especificações.

É preciso eliminar as proibições e limitações severas às importações de álcool e substituí-las por acordos mais flexíveis e claros; substituir as altas tarifas atuais de importação por tarifas inferiores àquelas aplicadas aos combustíveis fósseis; e diminuir o uso de subsídios, até a sua eliminação.

Nosso compromisso com o futuro exige investimentos em fontes renováveis de energia. É o que de melhor podemos deixar para as próximas gerações.
Revista BiodieselBR
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