“O Governo Federal (...) irá assegurar a compra do biodiesel produzido pela agricultura familiar. A partir de agora, todo biodiesel (...) terá a sua compra garantida, através de chamada pública, por preços que remunerem adequadamente a cadeia produtiva”. Este trecho do pronunciamento do Presidente da República em Floriano, no dia 04 de agosto, por ocasião da inauguração da usina de biodiesel da Brasil Ecodiesel S/A, foi o teor mais importante de seu discurso, pois sem o devido incentivo governamental, o programa que revolucionará o Nordeste não teria condição de lograr êxito.
Em Floriano, ao deparar com o Embaixador Jório Dauster, não resisti: “Embaixador, você perdido nesse sertão?”. O Embaixador explicou-me que estava à frente do Conselho de Administração da Brasil Ecodiesel e fiquei mais confiante, ainda, na viabilidade do programa de aproveitamento da nossa mamona como fonte de biodiesel. Jório Dauster é um dos maiores quadros da história do Itamaraty. O conheci na década de 80 do século passado, em Londres, como Embaixador permanente do Brasil junto à Organização Internacional do Café.
Integrei a delegação brasileira em uma das reuniões anuais daquela organização internacional e fiquei impressionado com a competência e a eficiência de sua atuação. A OIC foi o mais importante organismo internacional de defesa do café, que reunia grandes produtores e consumidores do café, do mundo inteiro, destacando-se do lado dos produtores o Brasil e a Colômbia, e dos consumidores os Estados Unidos.
O seu objetivo era evitar que o excesso de oferta do produto gerasse uma crise política de sustentação de seus preços, e o subseqüente desestímulo à sua produção. Daí o sistema de “quotas” previsto no tratado internacional que criou a OIC. Mas o que mais me impressionava era que embora o Embaixador Jório Dauster representasse o Brasil, era ele quem comandava o sistema de distribuição de quotas. Tal a sua competência profissional e o seu refinado conhecimento do mercado de café, que todos os países aceitavam as suas ponderações.
Com a vitória de Tancredo Neves, Jório Dauster foi designado Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia, e o café perdeu o seu mais respeitado interlocutor no mercado mundial. Ainda nos anos 80, acompanhei o Embaixador Jório Dauster ao Panamá e à Colômbia, para tratar dos interesses do nosso país junto aos países produtores da América Latina.
Jório Dauster chegou inclusive a presidir o Instituto Brasileiro do Café e quando da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, os acionistas controladores e o Governo Federal se preocuparam em encontrar um nome que mantivesse o prestígio e a respeitabilidade da empresa internacionalmente para presidi-la. O nome escolhido foi o de Jório Dauster, que consolidou a imagem internacional da Vale do Rio Doce, agora sob o domínio do setor privado e transformada na mais importante empresa mineral do mundo.
No seu discurso, o Presidente Lula disse que as instituições financeiras públicas, em especial o BNDES, está apresentando uma política de financiamento a todos os agentes da cadeia produtiva da mamona: seus agricultores, esmagadores e produtores do biodiesel.
Essa revolução do “ouro verde” em que poderá se transformar a mamona ocasionará um impacto de dimensões ainda não previstas na estrutura social, econômica e cultural do Piauí. O Presidente esclareceu que poderia ter escolhido a soja, o azeite de oliva, o girassol, mas fez questão da escolha da mamona para a produção do biodiesel para ajudar o Nordeste, em geral, e o Piauí em particular.
O que mais me encantou da Brasil Ecodiesel foi a sua ação educacional. A escola destinada às crianças na Fazenda Santa Clara, em Canto do Buriti, que recebe os filhos dos agricultores e esmagadores daquela cidade e de Elizeu Martins, deveria servir de exemplo para todas as escolas públicas do país. Crianças felizes e professoras realizadas no seu desiderato educacional. Como disse o Presidente Lula, “o projeto do biodiesel é um projeto ousado, é um projeto que vai permitir que a gente possa dar esperança à família brasileira”. Paes Landim - Deputado Federal e Professor licenciado da UnB
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