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Biodiesel

O biodiesel social de Lula


Revista Veja - Edição 1908 - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Decidido a ampliar o uso dos biocombustíveis no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou no ano passado o Programa Nacional de Biodiesel. A intenção é produzir esse combustível com extratos de plantas oleaginosas como girassol, soja, palma e mamona. A meta do governo é semelhante à traçada por vários países europeus: até 2008, o diesel vendido em todos os postos brasileiros deverá ter 2% de biodiesel, proporção a ser ampliada para 5% até 2013. A complicação é que Lula decidiu usar o programa para fazer bonito também no campo social. O governo pretende impulsionar a produção garantindo financiamento aos pequenos agricultores por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e concedendo isenções fiscais de até 100% ao biodiesel fabricado com matérias-primas adquiridas de pequenos agricultores das regiões Norte e Nordeste. Os grandes produtores, por sua vez, precisam tirar do próprio bolso. Ou seja, o programa do biodiesel brasileiro tem tudo para dar errado.

Isso porque, para que a primeira meta do programa seja alcançada nos próximos três anos, a produção precisaria atingir 800 milhões de litros ao ano. "Isso será muito difícil se ela se concentrar em pequenas propriedades pouco mecanizadas", diz o engenheiro agrônomo Afonso Lopes, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Os custos de produção variam bastante de acordo com o tipo de planta do qual o biodiesel é extraído, mas para todas elas a produção em larga escala é essencial para reduzir os preços e torná-los competitivos. "Pelo menos numa primeira etapa, é preciso fornecer incentivos também aos grandes produtores", explica Miguel Dabdoub, coordenador do Projeto BiodieselBrasil, que pesquisa o potencial de utilização de combustíveis alternativos. "Eles até estão empolgados com o biodiesel, mas quando fazem as contas acabam desistindo de investir", ele completa.

países e o uso de combustível vegetal