Novas alternativas para o Cerrado
Culturas nativas da região podem ser usadas na produção da bioenergia e do biocombustível. A cidade de Balsas, a 790 quilômetros de São Luís, será transformada, de hoje até sexta-feira, na capital nacional da soja, com mais uma edição do Agrobalsas, a maior feira agrícola do Corredor de Exportação Norte, que foi aberta oficialmente ontem à noite no Campo Experimental Fazenda Sol Nascente.
O evento, organizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen) com o apoio dos poderes públicos municipal e estadual e instituições financeiras, espera reunir 30 mil pessoas e 200 empresas do setor. A expectativa de negócios durante feira gira em torno de R$ 100 milhões. O objetivo do Agrobalsas é apresentar as mais recentes tecnologias de produção e discutir os problemas da região. O tema da feira para este ano é "Alternativas tecnológicas para o cerrado".
Dentro das alternativas, estão a bioenergia e o biocombustível, que podem ser produzidos a partir de culturas do Cerrado como a cana-de-açúcar, mamona, soja, girassol, além do babaçu, fruto da palmeira nativa encontrada em abundância no Maranhão. "Vamos discutir as políticas de incremento tanto na produção de sementes como a industrialização", explica a superintendente da Fapcen, Gisela Introvini.
Diferente de outras regiões produtoras de soja, o Sul do Maranhão não sofre problemas com seca ou ataques da ferrugem asiática. No momento, o que desanima os produtores locais é o preço do dólar, abaixo das expectativas.
"O agricultor está mal acostumado em plantar só a soja. É justamente neste momento de crise, que nós queremos mostrar aos produtores que existem alternativas", afirma a superintendente, ressaltando que Balsas está distante dos grandes centros do País e tem potencial enorme de exploração.
A biotecnologia, a criação do consórcio rodoviário (a exemplo do que ocorreu no Mato Grosso), o programa de defesa vegetal para o Maranhão, o combate à pirataria de sementes, o mercado mundial de comodites são temas que também serão discutidos no evento.
As empresas como a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que administra o porto do Itaqui, além dos agentes financeiros como o Banco do Nordeste (BNB), Banco da Amazônia e Banco do Brasil também apoiam o Agrobalsas e participam das discussões sobre os gargalos da região. O BNB tem parceria com fabricantes de máquinas e equipamentos para financiar os compradores.
A feira terá estandes de 42 expositores, entre empresas de máquinas e implementos agrícolas, produtores, agentes financeiros, estandes institucionais. Além da CVRD e Emap, este ano a Petrobras também vai participar com estande com exposições sobre suas demandas na área de biodiesel.


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