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Nova técnica garante qualidade do biodiesel

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quarta, 22 agosto 2007 . Jornal da Unicamp   
Participe da Conferência BiodieselBR 2008
Uma metodologia capaz de identificar com rapidez e precisão o padrão de qualidade do biodiesel acaba de ser desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Unicamp. A técnica, inédita no mundo, foi desenvolvida juntamente com a Petrobrás, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O novo método deverá ser adotado pelo Inmetro e será empregado para certificar o biocombustível produzido no Brasil, o que deverá ampliar a sua aceitação tanto pelo mercado interno quanto externo. O biodiesel tem sido uma das apostas do governo federal dentro do programa de diversificação da matriz energética nacional.

A técnica é resultado do trabalho de pesquisadores do Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas, cujo coordenador é o professor Marcos Eberlin, e o Laboratório Phoenix de Catálise e Biomassa, ambos do IQ. Participaram diretamente da pesquisa na Unicamp o farmacêutico Rodrigo Ramos Catharino e os químicos Camila Martins Garcia, Sérgio Saraiva e Humberto M. S. Milagre.

Os cientistas contam que o estudo enfrentou algumas dificuldades em seu início. A principal delas foi a baixa qualidade do biodiesel produzido comercialmente no país. Após analisar quimicamente algumas amostras, Catharino e Saraiva verificaram que os produtos tinham elevado teor de impurezas. Muitos resultavam da mistura do biocombustível com outras substâncias, principalmente o óleo de soja.
Os pesquisadores Sérgio Saraiva, Camila Martins Garcia e Rodrigo Ramos Catharino, no Laboratório
Os pesquisadores Sérgio Saraiva, Camila Martins Garcia e Rodrigo Ramos Catharino, no Laboratório.


"Como precisávamos de um biodiesel de origem controlada e de extrema qualidade para estabelecer um padrão de análise, decidimos recorrer à Camila Garcia, que trabalha justamente nessa área”, explica Catharino. Aluna do programa de doutorado e orientanda da professora Regina Buffon, ela integra a equipe do professor Ulf Friedrich Schuchardt, um dos maiores especialistas do país em catálise.

Conforme Camila, entre as atividades realizadas no laboratório do professor Ulf está a produção de biodiesel em escala laboratorial por meio de catalisadores homogêneos e heterogêneos. Na pesquisa em questão, ela produziu o biodiesel a partir da chamada “rota clássica”, ou seja, utilizando catalisadores alcalinos homogêneos, mesmo processo empregado comercialmente.

As matérias-primas normalmente usadas por ela para a geração do biocombustível são os óleos de soja, milho, girassol e mamona, além de banha e sebo animal e óleo de fritura, entre outros. “Após a produção do biodiesel, nós fazemos a purificação do produto, que consiste na eliminação do catalisador e da glicerina. Com isso, obtemos um combustível de extrema qualidade”, assegura a pesquisadora.

De posse desse biodiesel de fonte conhecida e livre de impurezas, Catharino e Saraiva finalmente puderam retomar as análises químicas, realizadas com o auxílio de um equipamento chamado espectrômetro de massas. Nesse caso, o que os cientistas fazem é diluir 300 microlitros do biocombustível em 1 mililitro de metanol e água e injetar a mistura diretamente no aparelho.

O espectrômetro, por sua vez, faz uma espécie de varredura de todas as substâncias presentes na amostra e emite gráficos com informações detalhadas acerca desses componentes. “Ou seja, se houver traços de alguma impureza – óleo, intermediários da reação, glicerol, álcool e/ou catalisador – presente no biodiesel, o método certamente identificará em questão de minutos”, assegura Catharino.

Sérgio Saraiva acrescenta que a técnica também é capaz de determinar a fonte graxa (vegetal ou animal) que deu origem ao biodiesel. Isso é feito por meio da análise do perfil dos ácidos graxos das amostras. O químico explica que o teor e o tipo do ácido graxo variam de acordo com a matéria-prima. &ldquConseqüentemente, se o biodiesel for produzido a partir de óleo de soja, a composição em ácidos graxos do biocombustível será a mesma apresentada pela matéria-prima”, exemplifica Rodrigo Catharino.

"Através dessa técnica, também é possível identificar o nível de degradação do biodiesel, recurso importante para a avaliação tanto da estabilidade desse combustível, durante o seu uso em motores do ciclo diesel, quanto das condições de armazenamento do mesmo”, complementa Camila.

Nove fontes
Ao longo da pesquisa, os especialistas do IQ promoveram a análise química de biodiesel produzido a partir de nove fontes graxas: mamona, pinhão manso, canola, girassol, oliva, soja, banha animal, sebo animal e palma (dendê). O método empregado, conforme os cientistas, mostrou-se rápido e preciso.

Os resultados foram encaminhados recentemente ao Inmetro, que está fazendo a avaliação final da técnica. “Nossa expectativa é de que a tecnologia venha a ser adotada oficialmente pelo órgão para estabelecer o padrão nacional do biodiesel”, revela Catharino. Caso isso venha a acontecer, uma das possibilidades, segundo os cientistas, é que o órgão federal monte uma planta própria para produzir e analisar o biocombustível, de modo a compará-lo com os produtos encontrados no mercado. Nesse caso, os pesquisadores da Unicamp orientariam na implantação da unidade.

"Isso seria altamente gratificante para nós, pois teríamos a oportunidade de ver nossa tecnologia sendo aplicada e trazendo benefícios para o país”, observa Catharino, que conta com a aquiescência dos outros dois parceiros.

MANUEL ALVES FILHO
Crédito da imagem: Antoninho Perri/Unicamp
Revista BiodieselBR
Comentarios (11)add comment

Telmo Heinen - Formosa [GO] disse:

  Notícia muito boa, alviçareira mesmo. Um dos maiores "custos" extras na produção de biodiesel é a sua padronização, enquadramento nas normas.
Sendo um método mais rápido e preciso, virá para aumentar a produtividade do processo.

1

22.08.2007 - 16:44

Ananias Baracuhy disse:

  Notícia boa,é bom que se tenha mais e mais Universidades envolvidas pois através da pesquisa encontraremos respostas e soluções para os obstáculos que aparecem.A notícia de se fazer óleo lubrificante extraindo da mamona é outra boa notícia e isso em espaço de sete dias.Parabens a USP e a UFC e aos seus abnegados pesquisadores.
2

22.08.2007 - 21:48

PATRICIA disse:

  Achei muito boa esta noticia, pois se realmente este metodo for empregado, só vai permanecer no mercado as grandes usinas de biodiesel com ótima (tecnologia e operação). Sendo assim a ANP não vai se comprometer com um biodiesel de pessima qualidade que esta sendo produzido ou "estão tentando produzir até agora"...
3

23.08.2007 - 05:28

Carlos Omar Polastri disse:

  Prezados Senhores, parabéns pelas pesquisas, pois nós da Cesbra e Volta Redonda, RJ, sabemos como é importante pesquisa. Temos um grande centro de pesquisas em química orgânica e inorgânica. Estamos em processo de registro junto a ANP. Temos uma fábrica pronta de biodiesel de cerca de 200 mil toneladas ano de capacidade de produção. Estamos fazendo pesquisa de qualidade de biodiesel a quase um ano. Temos 2 cromatógrafos com colunas de óleos e ácidos graxos que tem nos auxiliados muito em pesquisa. Temos conseguido excelentes resultados um produção piloto e experimentais ( 400 litros por lote) de biodiesel, tais como: de soja, sebos, fritura, mamona,babaçu, canola, e outros.
Estamos a disposição dos pesquisadores para colaborar.
carlos.omar@cesbra.com.br
4

23.08.2007 - 08:08

Wilson Linhares disse:

  Parabéns a Equipe. Para mim é um estimulo. Para o Brasil, mostra que com incentivo para pesquisa nós temos pessoas capazes de solucionar tecnicamente as necessidades de nosso país, com empenho, dedicação e inteligência. Temos uma diversidade de oleaginosas e com equipes e laboratórios bem equipados temos potencial muito grande de pesquisa para desenvolvimento e crescimento do Brasil.
5

23.08.2007 - 09:44

tito da silva disse:

  Essa imformacão pra min é de muito valor pôs meus Patrões tem uma Cooperativa e
estão começando a fabricar o BIODIESEL ENTÃO TEMOS Q/ ESTAR bem informados valeu.
6

23.08.2007 - 09:53

Marcio Borges Couto disse:

  Estou no quarto semestre de gestão ambiental,aqui na São Marcos, unidade Paulínia.o tcc,do grupo que participo,é sobre o reúso de óleo de frituras, fico muito feliz com a notícia, parabéns pelo esforço.
7

23.08.2007 - 18:12

Marcio Borges Couto disse:

  è preciso muito esforços e dedicação para alavancar uma idéia, imagine um progeto. parabens,
8

23.08.2007 - 18:18

Jose Paraiso disse:

  Parabens aos pesquisadores da Unicamp e aos seus mestres. Só espero que o nosso governo aproveite esta vitória, nesse projeto e mostre vontade politica para incentivar os nossos universitários a mais descobertas nesse campo, de grande esperança para o Brasil e porque não para o mundo.
9

23.08.2007 - 22:58

Paulo Bohrer disse:

  Gostaria de parabenizar aos pesquisadores da Unicamp, UFMG, Petrobras e Instituto de Metrologia pela nova metodologia de análise do biodiesel. No entanto, preocupo-me com a viabilidade econômica da dissiminação deste conhecimento e tecnologia para os produtores de biodiesel de escala menor (< 50.000 m3/h). Seria interessante que todos as usinas pudessem contar com um recurso para análise e qualificação de seu produto antes de entregá-lo ao consumidor e, desta forma, fazer os ajustes de processo necessários para adequação do seu biodiesel. Assim, lanço um desafio aos pesquisadores que desenvolvam algo de fácil utilização e com baixos custos para auxiliar os pequenos produtores de biodiesel a manterem-se dentro do mercado, caso contrário, o caráter social do programa de biodiesel brasileiro corre sério risco de desaparecer ficando restrito aos grandes produtores e com maior capacidade de investimento em técnicas de controle e qualificação do produto final.

Eng. Químico Paulo Bohrer

pbohrer@nalco.com

10

27.08.2007 - 15:03

Herbert Ferreira Almeida Ferraz disse:

  Pelo que já conheço este método de análise já existe no mercado (espectrômetro de massa) e é usado para se fazer análise de impurezas de óleos lubrificantes.Eu não entendi esta se pretendendo fazer, já que o Biodiesel é especificado de acordo com as normas EN 14214, ASTM 6751-2 e agora pela ANP 310/01. Temos realmente que nos preocuparmos com a qualidade do produto final (Biodiesel), já que os motores diesel é que terão problemas de carbonização, corrosão, borra, entupimento dos filtros, formação de sabão , etc através de um Biodiesel "mal-especificado - má qualidade". Acho que deveríamos nos basear nas especificações já existentes no mundo, principalmente Europa (Alemanha) e EUA, pois os mesmos estão à bastante tempo envolvidos na produção de Biodiesel.

Atenciosamente

Herbert Ferraz
Engº Aplicação
11

31.08.2007 - 15:40

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