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Biodiesel

Gordura de frango vira combustível


A Crítica de Campo Grande - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:20

Os motoristas estão cada vez com mais receio das bombas de combustíveis. A cada reajuste, aumenta a vontade de trafegar menos com o carro e poupar alguns trocados. Há ainda outro motivo de apreensão a médio prazo: o preço do barril de petróleo atingiu a cotação mais alta da história e a perspectiva é que a gasolina e o óleo diesel vão subir acima da inflação.

Em Apucarana, o microempresário do setor de distribuição de jornais, João Claudio Plath, de 45 anos, encontrou uma maneira de se preocupar menos com o insumo, tão importante para sua atividade. A partir de documentários sobre biodiesel que ele assistiu na TV, Plath está produzindo um combustível à base de gordura de frango assado. A matéria-prima é fornecida por um amigo, dono de um supermercado próximo da sua casa, no Jardim Apucarana. Como a matéria-prima é doada, o custo do litro do combustível alternativo é 60% menor que o diesel.

A gordura é coletada nas máquinas de assar conhecidas popularmente como "televisão de cachorro". Antes jogada no esgoto, o "frangóleo" é misturado a pequenas quantidades de metanol, álcool hidratado e metanol. Os ingredientes são batidos em uma máquina de lavar durante 20 minutos. "Como não existe um liquidificador gigante...", diverte-se o microempresário, que produz a fórmula uma vez por semana.

Antes de ser colocado no tanque do seu velho jipe (fabricado em 1961 mas em bom estado), a mistura é deixada no sol para a decantação. O consumo é semelhante ao diesel: 10 quilômetros por litro em área urbana. "O desempenho também é mantido", garante. Plath também aponta outra vantagem. Segundo ele, o "frangóleo" polui muito menos. "É só ver a densidade da fumaça. Além disso, o cheiro é bem agradável", brinca.

Plath está levando sua "invenção" a sério. Estudante de Ciências Biológicas da Faculdade Apucarana, pretende montar um projeto de pesquisa sob orientação do professor de bioquímica, Edmílson Canezin. "No início, foi ele quem mais incentivou. Sem o conhecimento do professor, que fez toda a pesquisa, não teria chegado à fórmula ideal", reconhece, lembrando-se do dia em que conseguiu finalmente fazer o motor de seu jipe funcionar. "Deixei uns 10 minutos na marcha lenta. Quase não acreditei."

A microempresa de Plath tem outros três carros. Ele avalia que precisaria de mil litros mensais para se livrar de vez dos custos do óleo diesel. Este volume, segundo ele, é difícil conseguir fazendo coletas pela cidade. Ele planeja usar frangos mortos precocemente nas granjas para extrair esta grande quantidade de gordura. "Já tive ofertas neste sentido. Preciso apenas planejar como fazer para produzir a gordura."

Enquanto a idéia serve mais à diversão que aos negócios, Plath está ficando cada vez mais conhecido em Apucarana, graças ao aroma exalado por seu jipe. No feriado do dia 12 de outubro (Padroeira do Brasil), ele se abasteceu com a gordura da assadeira instalada na Casa D' Paschoal. "É uma coisa muito interessante. Quando acabar o petróleo, a gente já sabe que pode contar com a gordura para tocar os carros", brinca o dono da casa de assados, Pascoal Sanches